Mostrar mensagens com a etiqueta Barra de Aveiro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Barra de Aveiro. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Concurso de Fotografia “PORTO DE ENCONTRO”

Autor: Guilherme Lima, de Vagos.

O Concurso de Fotografia "Porto de Encontro", foi mais uma iniciativa do programa comemorativo do Bicentenário da abertura da Barra de Aveiro, e registou uma forte adesão da comunidade, com 61 concorrentes e perto de 500 fotografias.

Os prémios foram entregues no passado dia 3 de Abril.

Fonte: Porto de Aveiro

terça-feira, 8 de julho de 2008

Baptismos de mergulho gratuitos na Praia da Barra


PARTICIPE !!!

Não perca esta oportunidade única. Mergulhe em segurança, na companhia de um instrutor credenciado. Uma parceria do Porto de Aveiro com a aveirosub.

Inscrições: 234 367 666, 932 367 667, aveirosub@aveirosub.com, geral@portodeaveiro.pt


Fonte: Porto de Aveiro: Newsletter n.º149.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Revista da Armada: 200 Anos da Abertura da Barra de Aveiro



Este mês, a Revista da Armada dá especial destaque aos 200 anos da abertura da Barra de Aveiro, um acontecimento histórico e memorável para as gentes da terra...

Porto de Aveiro - 1610.
Atlas de Pedro Teixeira de Albernaz.
"..."

"As primeiras referências documentais à região de Aveiro datam do século XI (entre 1037 e 1065), sendo pois anteriores à criação do Estado Português ou mesmo do Condado Portucalense.
Nessa época a linha de costa nesta região era substancialmente diferente da actual. Ovar tinha deixado de ser uma povoação do litoral estando já protegida do mar por um cordão dunar que foi avançando sucessivamente para Sul.
No entanto, Aveiro, Ílhavo, Vagos e Mira mantinham-se como povoações à beira do Oceano e há referências a importantes actividades marítimas."
"..."
Estávamos no tempo das Invasões Francesas; em Novembro de 1807 o Exército Franco-Espanhol comandado por Junot invade e ocupa Portugal enquanto a Corte e o governo retiram para o Brasil.

A 3 de Abril de 1808, com o auxílio das fortes chuvadas que se fizeram sentir, e com o desnível de mais de 2 metros entre as águas lagunares e o oceano, retirou-se o último obstáculo – uma pequena barragem de estacaria – e as águas rasgam o que resta do cordão dunar que, ao fim de 3 dias está estabilizado com 4 a 6 metros de profundidade e 264 de largura.

A decisão de trazer a Barra para Norte, onde estivera nos Séculos XV e XVI, próximo da cidade e das marinhas de sal, mostrou-se a solução providencial que resistiu ao longo de dois séculos e devolveu à Ria de Aveiro, e às suas gentes, as suas capacidades económicas e bem estar social.


Fonte: Revista da Armada

domingo, 25 de maio de 2008

Coimbra: Inauguração da Exposição "A Barra e os Portos da Ria de Aveiro"

A 21 de Maio de 2008, na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (BGUC), procedeu-se à inauguração da exposição "A Barra e os Portos da Ria de Aveiro 1808 -- 1932, no Arquivo Histórico da Administração do Porto de Aveiro".

No video que se segue, são reproduzidas as palavras de boas-vindas proferidas pelo Director da BGUC, Prof. Doutor Carlos Fiolhais.


quarta-feira, 21 de maio de 2008

UM PORTO: Duas Cidades


A origem do Porto de Aveiro, está intimamente ligada à história da Ria e à obra de fixação e abertura da Barra.

Depois de sucessivas intervenções políticas, económicas e técnicas, sempre em prol da abertura da ligação do mar à ria, a Barra acaba por ser aberta a 03 de Abril de 1808, graças aos Engenheiros Reinaldo Oudinot e Luís Gomes de Carvalho.

Depois da fixação da Barra, até meados do séc. XX, são ampliados molhes e constituídos diques. Da autoria do Engenheiro Von Affe, viria a surgir um dos primeiros planos para o Porto de Aveiro, a projecção de um Porto de Pesca e de um Porto Comercial, junto ao Canal de S. Roque.

Em meados do séc. XX, é criada a JARBA (Junta Autónoma da Ria e Barra de Aveiro), e pela mão do Engenheiro Coutinho de Lima, são orientados os planos de exploração e manutenção dos Portos de Pesca do Largo, do Porto de Pesca Costeira e do Porto Comercial.

Em 1974, já com a JARBA transformada em JAPA (Junta Autónoma do Porto de Aveiro),"Plano Director de Desenvolvimento e Valorização do Porto e Ria de Aveiro”, é apontado no sentido de deslocar os terminais portuários, para próximo da entrada da Barra, local onde ainda hoje se localiza a mais importante estrutura comercial do Porto de Aveiro.

O ano de 1998, é mais um novo marco para a história do Porto, com a transformação de JAPA em APA (Administração do Porto de Aveiro, S.A.) é-lhe reconhecido o estatuto de porto de âmbito nacional, e com as novas competências que lhe foram atribuídas, a APA, S.A., procede à revisão do “Plano de Ordenamento e Expansão do Porto de Aveiro”, incluindo a ligação do Porto de Aveiro à Linha do Norte, bem como a conclusão e melhoria das infra-estruturas.


Nos dias que correm, a APA, S.A, é uma empresa empenhada, que assume como missão facultar o acesso competitivo de mercadorias aos mercados regionais, nacionais e internacionais, promovendo assim o desenvolvimento económico da região.

terça-feira, 20 de maio de 2008

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Exposição Coimbra: A Barra e os Portos da Ria de Avreiro 1808-1932


A Barra e os Portos da Ria de Aveiro em exposição na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra

Na próxima quarta-feira, pelas 18 horas, na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (BGUC), vai proceder-se à inauguração da exposição “A Barra e os Portos da Ria de Aveiro 1808 – 1932, no Arquivo Histórico da Administração do Porto de Aveiro”.

Patente na Sala de S. Pedro até 14 de Junho, a exposição comissariada por João Carlos Garcia e Inês Amorim (ambos professores da Faculdade de Letras do Porto), cumpre em Coimbra a primeira etapa de um circuito de itinerância pela Península Ibérica. Etapa que resulta de parceria entre a BGUC, a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), a Administração do Porto de Aveiro e a Câmara Municipal de Aveiro.

Integrada no programa comemorativo do Bicentenário da abertura da Barra de Aveiro (3.04.1808), é composta por documentos do Arquivo Histórico do Porto de Aveiro, empresa que, segundo José Luís Cacho, Presidente do Conselho de Administração, “decidiu libertar o seu património histórico-documental da clausura que o agrilhoava em inútil penumbra, fomentando-se, a partir de agora, o seu usufruto pela comunidade”.

O programa da inauguração abre com palavras de boas vindas do Director da BGUC. Segue-se a intervenção de Fernando Rebelo, subordinada à epígrafe “O Instituto de Estudos Geográficos da FLUC e as investigações sobre a Ria de Aveiro”.

Quinze minutos mais tarde, Inês Amorim falará do livro de sua autoria, “PORTO DE AVEIRO: Entre a Terra e o Mar”. O acto inaugural encerra com a apresentação da exposição por parte de João Carlos Garcia, seguida de visita aos cinco núcleos do espólio patente na majestosa Sala de S. Pedro.

Aos núcleos originais da Exposição:

“I – A RIA DE AVEIRO”;

“II – A BARRA DE AVEIRO”;

“III – A NAVEGABILIDADE DA RIA DE AVEIRO”;

“IV – AS MARINHAS DE SAL DA RIA DE AVEIRO”.

Acrescentou-se, em Coimbra:

"V - mapas da colecção particular de Nabais Conde, professor da FCTUC".


“Aproveitando a belíssima colecção do Professor Doutor Carlos Alberto Nabais Conde, seleccionámos alguns mapas dos séculos XVII e XVIII que podem ajudar na compreensão do que ia acontecendo com o evoluir desta grande forma litoral”, afirma o ex-Reitor e catedrático da FLUC Fernando Rebelo, que elaborou texto disponível em desdobrável, recordando o “grande geógrafo português Amorim Girão, Doutor pela Universidade de Coimbra, após a elaboração, apresentação e defesa de uma tese sobre a Bacia do Vouga”.

“A documentação do Arquivo do Porto de Aveiro concentra as diferentes valências deste porto flúvio-marítimo” – adianta Inês Amorim, detalhando: “Por um lado, registos como mapas, cartas, projectos, desenhos e respectivas memórias, a escalas diferenciadas, numa quantidade e variedade imensurável, resultam das opções e procedimentos técnicos e interventivos no porto, na cidade e na Ria. Por outro, a documentação de carácter administrativo, que inclui as actas das sucessivas administrações, livros de receitas (fiscais) e de despesas, e os relatórios de actividades, cuja natureza evoluiu à medida que a legislação e os regulamentos o exigiam. Depois, a fotografia, pelo menos desde a década de 30, documenta obras e recursos, sítios de embarque e desembarque de materiais e mercadorias, ou, ainda, imagens aéreas da barra e porto. Finalmente, os objectos atestam técnicas empregues, quer no conhecimento das marés na Ria e na embocadura da barra, quer nas obras portuárias”.

“É este conjunto, diversificado, que compõe o Arquivo da Administração do Porto de Aveiro”, acrescenta a reputada investigadora. “Se, a complementar Biblioteca, contém um acervo de obras impressas relativas a obras portuárias, nacionais e estrangeiras, justificadas pelos interesses das equipas técnicas e de engenharia, acrescentam-se muitas outras, sobre as actividades económicas e ambientais, gerais e locais, geradas e geradoras, das dinâmicas sócio-económicas”.

O livro de Inês Amorim e o catálogo da exposição encontram-se disponíveis para venda. O Porto de Aveiro disponibiliza visita virtual à exposição (imagens panorâmicas e cilíndricas, com rotação a 360º, da autoria de Romeu Bio, em http://www.op.com.pt/apa1/).

Fonte: Porto de Aveiro: Newsletter n.º 140.

domingo, 11 de maio de 2008

Vista do Farol...


Esta foto, foi-me gentilmente enviada pelo Filipe Roque, um jovem estudante do 12º ano, da Escola Secundária com 3º Ciclo da Gafanha da Nazaré, que depois de efectuar uma visita ao cimo do Farol, juntamente com mais 3 colegas de grupo (Joana Oliveira, Sara Fidalgo e Tiago Conceição), fizeram a composição desta magnifica panorâmica, que é resultado da junção de 34 fotografias tiradas em torno do Farol.

O trabalho destes jovens insere-se na disciplina de Área de Projecto cujo tema é "Fotografia - Arte e Técnicas", para quem quiser apreciar um pouco mais acerca do trabalho destes jovens poderá fazê-lo no blog: http://retratosderua.blogspot.com/

Resta-me assim, agradecer a gentileza, pelo envio da imagem e desejar a continuação de um bom trabalho para todos.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Ilustres Aveirenses: VON HAFE João Henrique Adolfo

VON HAFE João Henrique Adolfo

João Henrique Adolfo Von Hafe, foi um dos ilustres aveirenses, homenageado no passado dia 28 de Abril, no Museu da Cidade. Nasceu no Porto em 1855 e aí mesmo viria a falecer em 1930, foi um empenhado engenheiro da JARBA (Junta Autónoma da Ria e Barra de Aveiro), e o seu trabalho ainda hoje é reconhecido.

Da sua acção destacou-se, o Estudo e o Projecto de Melhoramento da Barra, em 1925 e 1927 respectivamente, onde actuou e defendeu a construção de um dique de concentração de correntes e o prolongamento do molhe norte, em mais 300 metros em direcção ao mar.

Este projecto viria a ser aprovado, em 1930, depois de aperfeiçoado pela Missão Inglesa (firma inglesa, especializada e consultada para esta matéria a pedido do Ministério das Obras Públicas) vindo a servir de pedra basilar na primeira fase do plano portuário de Aveiro.

O Eng.º Von Hafe propugnou também por uma Barra a 18 pés, à custa do prolongamento do Molhe Norte e sem dragagens.

A este ilustre se deveu também o Anteprojecto de um porto de comércio e de pesca que propunha um plano geral de construção do porto interior de Aveiro.
Aqui fica a nossa homenagem...


Projecto de melhoramento da Barra de Aveiro, da autoria do Engº Von Hafe.

Fonte:
Arquivo do Distrito de Aveiro, 1947, Vol. XIII
A Barra e os Portos da Ria de Aveiro 1808 - 1932, APA- Administração do Porto de Aveiro, 2008.
Porto de Aveiro: Entre a Terra e o Mar, Inês Amorim, 2008.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Arquivo da APA: Planta do projecto da abertura da Barra


1807 - Cópia de uma planta relativa ao projecto da abertura da Barra de Aveiro, pelo Sarg.to Mor do R. Corpo de Eng.os Luiz Gomes de Carvalho.


Fonte: Porto de Aveiro.

Ciclovia da Barra pronta no Verão

Noventa dias é o tempo previsto de construção para a Ciclovia da Barra, o que significa que já este Verão será possível, para os peões e ciclistas, circular com mais segurança entre o Largo do Farol e a Ponte da Barra.



O Executivo municipal ilhavense adjudicou ontem em reunião camarária, a obra de construção da Ciclovia da praia da Barra, cujo percurso será compreendido entre o Largo do Farol e a ponte da Barra, com reperfilamento da principal avenida (Av. João Corte Real).

O valor estimado da obra ronda os 300 mil euros e o seu prazo de execução é de 90 dias, pelo que no próximo mês de Julho já estará terminada.
O vice-presidente da Câmara Municipal de Ílhavo, Fernando Caçoilo, que ontem presidiu à reunião do Executivo em substituição de Ribau Esteves, explica que esta é «apenas uma parte da “ciclovia das praias” que está prevista». Com efeito, está planeada a ligação desta ciclovia à já existente, na zona do relvado da Costa Nova, que, na zona da Biarritz, será feita com a obra de qualificação da margem Poente do Canal de Mira. Actualmente, já existe uma ciclovia marginal à Ria nesta localidade, que estabelece a ligação entre o Cais dos Pescadores e o Clube de Vela da Costa Nova. Futuramente, será feita uma ligação entre este ponto e a rotunda da Barra. Esta fase de interligação, encontrando-se integrada nas obras de recuperação da Frente-Ria da Costa Nova está, de acordo com Fernando Caçoilo, «dependente da actuação da Mais Ílhavo, SA», estando em fase de projecto e licenciamento.
Com a intervenção da fase ontem adjudicada, a autarquia considera que cumprirá o objectivo de «melhorar o ordenamento e as condições de segurança dos automobilistas, ciclistas e peões que circulam na Av. João Corte Real», arruamento central da área urbana da Barra.

Fonte: Diário de Aveiro.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Memórias VIII

Protecção ao Farol: estacas e tabuado em eucalipto.

Protecção ao Farol: estacas e tabuado em eucalipto.


Protecção ao Farol: estacas e tabuado em eucalipto.



Transporte de estacas em eucalipto para defesa do Farol.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Arquivo APA: Estaca de Madeira


Estaca das fundações da antiga ponte de madeira que ligava o Forte da Barra à Barra. Foi retirada por ocasião da dragagem do canal de acesso ao novo Sector de Pesca Costeira.

A longa marcha para o esquecimento de Gomes de Carvalho

Foto: Jornal "O Aveiro"

Em 1987, a pedido do Círculo Experimental de Teatro de Aveiro (CETA), escreve uma peça de teatro para comemorar os 30 anos de actividade daquele grupo performativo. E ao seu melhor estilo, pega em acontecimentos históricos para reflectir sobre o presente e chamá-lo à razão.

Jaime Gaspar Gralheiro pegou na obra que abriu a barra de Aveiro para lembrar o seu engenheiro esquecido pela história: Luís Gomes de Carvalho. À peça deu-lhe o nome de A Longa Marcha para o Esquecimento.

Jaime Gralheiro nasceu em São Pedro do Sul em 1930. É advogado, político e dramaturgo. Foi o primeiro presidente da Câmara de São Pedro do Sul, após o 25 de Abril. Regressou sempre à Câmara como vereador do PCP. Escreveu 16 peças para teatro. Ramos partidos, Belchior, Farruncha, o Fosso, Na Barca com o Mestre Gil são apenas algumas das obras que foram encenadas de Norte a Sul do país. Obras sempre baseadas em factos históricos com as quais pretende passar recados ao presente. A Longa Marcha para o Esquecimento é disso exemplo. No ano em que se comemoram 200 anos sobre a abertura da barra propôs que a peça voltasse ao palco. Não teve resposta de Aveiro.

Em 1987 foi convidado pelo Círculo Experimental de Teatro de Aveiro (CETA) para escrever uma peça de teatro sobre Aveiro. Como é que lhe surge a ideia de escrever sobre a abertura barra de Aveiro?

Sempre tive uma grande admiração pelo CETA que, nessa altura, era dos melhores grupos de teatro amadores do país. Aceitei o convite, pouco sabia de Aveiro e comecei a pesquisar. A certa altura, num texto qualquer, vi uma referência a Luís Gomes de Carvalho com uma nota que dizia: "Com quem Aveiro foi muito injusto". Eu andava à procura de um tema com choque dramático e, através daquela nota de rodapé, fui procurando saber quem era esse tal Gomes de Carvalho.

Que descobriu acerca de Gomes de Carvalho?

Descobri uma conferência notável do Comandante Rocha e Cunha pronunciada na Sociedade de Geografia, em 1921, onde o mesmo historiava detalhadamente todo o calvário pelo qual a cidade de Aveiro passou, desde que a barra se fechou, em 1575, em razão de um Inverno pavoroso a partir do qual a cidade ficou sem ligação ao mar, até 1808 quando a Barra foi aberta. O Comandante Rocha e Cunha conta isso com grande pormenor e aponta determinadas pessoas que se distinguiram nessa luta que durou 233 anos. E posso dizer que a primeira promessa que apareceu da parte do poder para que a barra fosse aberta foi do próprio Filipe I, porque a Câmara de Aveiro foi das primeiras a dar as boas vindas ao rei espanhol.

Mas não foi Filipe I a testemunhar a abertura da barra.

O primeiro aveirense que lutou bravamente para que o porto fosse aberto foi Cristóvão de Pinho Queimado, do século XVII para o século XVIII, quando o rei era D. Afonso VI. Nessa altura chegaram mesmo a vir a Aveiro uns engenheiros hidráulicos holandeses que eram, na Europa, quem mais sabia sobre engenharia hidráulica. Eles vieram cá, deram sugestões, mas não se chegou a avançar com nada.

Até que no tempo do Marquês de Pombal há uma nova tentativa para abrir a barra. E quem está por de trás dessa tentativa é o Duque de Aveiro que patrocina a petição e essa vontade dos aveirenses. Simplesmente o Duque de Aveiro é apanhado na conspiração contra o rei e cai na desgraça.

E eis que surge Gomes de Carvalho.

Exactamente. Já no reinado de Dona Maria II, quando era regente o seu filho que veio a ser o D. João VI, no dia 2 de Janeiro de 1802, é expedido aviso régio para o coronel Reinaldo Oudinot e para o seu genro, o engenheiro Luís Gomes de Carvalho. Os dois estavam na época a trabalhar nas obras do Porto de Leixões. No dia 21 desse mesmo mês estes dois engenheiros militares marcharam para Aveiro. Ainda antes do projecto ter sido aprovado conseguiram autorização da rainha para iniciarem as obras sob a direcção de Luís Gomes de Carvalho. A teimosia da barra tinha encontrado pela frente a teimosia do homem.

Que circunstâncias levam o engenheiro Luís Gomes de Carvalho a assumir tanta preponderância nas obras da abertura da barra?

Ele era um homem determinado e teve uma atitude perante o porto que nunca ninguém tinha tido. Ele corre toda a bacia, estuda-a do ponto de vista das marés, das plantas, das ondas, dos ventos… Ele faz um estudo integrado da ria, o que era notável para o princípio do século XIX. Por isso ele começa a ter alguma preponderância. Embora quem mandasse fosse o coronel Reinaldo Oudinot, que mandou abrir inclusivamente um canal para drenar mais facilmente as águas, e que ainda hoje é conhecido pelo canal Oudinot, a certa altura o coronel terá tido alguma crispação com o genro. Passado um ou dois anos deles terem iniciado as obras da construção do porto de Aveiro, o coronel Oudinot vai para a Madeira para preparar as obras do porto do Funchal e o Gomes de Carvalho é que fica a dirigir as obras em Aveiro.

Como se processaram os trabalhos técnicos para abrir a barra?

O Gomes de Carvalho, face à corrente do rio Vouga, resolve abrir um leito novo, a que deu o nome de Rio Novo do Príncipe. O objectivo era que o rio entrasse mais directa e facilmente em direcção ao local que ele escolheu para abrir a barra. Esse local escolhido é precisamente o sítio onde presentemente se dá a ligação da ria com o mar, ao contrário da antiga barra que estava situada na Vagueira. Para isso ele precisou de armazenar junto à futura abertura uma grande quantidade de água. Para tal fez um paredão que vinha desde as Gafanhas e que serviu para conduzir as águas em direcção ao local onde seria aberta a barra.

Conta a história que as pedras utilizadas na construção desse paredão tiveram proveniência da muralha de Aveiro.

Exactamente. Como não havia pedra nessa altura o Gomes de Carvalho propôs que as da muralha de Aveiro fossem utilizadas nesses paredões. Essas pedras, que dantes eram utilizadas para defender Aveiro dos piratas, passaram a ser muralhas para defenderem Aveiro das tormentas do mar. Ele então começa a fazer essa barreira de maneira a que a água da ria se começa a acumular. Ele queria juntar o máximo de água junto à futura abertura para que esta pudesse funcionar como pressão para abrir a barra. É que o Gomes de Carvalho chegou à conclusão que a diferença de nível entre a maré baixa e a altura que poderia obter com essa acumulação de água era de dois ou três metros, desnível esse que, depois de aberta uma pequena abertura entre a ria e o mar, seria o suficiente para empurrar toda a água para fora.

Foi então que a água da ria se acumulou tanto a ponto de inundar as zonas baixas da cidade de Aveiro.

Simplesmente, quando a água começa a encher, os donos das marinhas, que na altura eram as pessoas mais ricas de Aveiro, começaram a ficar prejudicados imediatamente porque as salinas ficaram inundadas e deixaram de produzir sal. E os protestos da população foram subindo de tom a ponto do Gomes de Carvalho ter ficado praticamente sozinho na sua determinação de abrir a barra no local que tinha escolhido.

Entretanto, no Inverno de 1808 choveu tanto que Aveiro começa a ficar inundada. A cidade chegou a ter água até aos telhados das zonas mais baixas. Toda a gente andava desesperada e só ele dizia: "Isto é ouro que está a cair". Porque ele tinha determinado que precisava de ter um desnível muito alto para depois, quando abrisse uma pequena abertura entre o mar e a ria, os milhões de quilolitros de água por si só cavassem aquilo que naquela altura as máquinas não conseguiam fazer.

E, por fim, abre-se a barra em 1808…

A água atinge o ponto máximo e o Gomes de Carvalho com a ajuda de meia dúzia de pessoas, a 3 de Abril de 1808, vai ao local onde tinha determinado a abertura, arranca a pequena barragem de estacas, ele próprio risca com a bota o local por onde a abertura acontecerá, abre-se um pequeno canal entre a ria e o mar e rapidamente a água começa a fluir, a fluir, a fluir e cavar um canal. E em três dias a água escoa tudo, a barra fica aberta e a cidade fica seca.

E foi de tal maneira isto que a cidade de Aveiro aclamou o Gomes de Carvalho como um grande herói, deram-lhe todas as honras e ele passou de odiado a grande herói porque fez aquilo que em duzentos e tal anos ninguém tinha feito.

A abertura da barra representou para a região o próprio futuro. Tendo sido um empreendimento tão potencializador, como se explica que o seu obreiro, o engenheiro Gomes de Carvalho, seja hoje um desconhecido da história?

Simplesmente Gomes de Carvalho era um liberal. Houve ostensivamente uma vontade política de apagar o nome de Luís Gomes de Carvalho. O facto dele ter assumido claramente uma posição liberal, numa terra em que as posições de direita normalmente imperam, caiu mal no caldo cultural na cidade de Aveiro.

É que nessa altura acontecem as guerras liberais entre D. Pedro e D. Miguel. Em 1823 dá-se a Vila Francada que é a primeira tentativa que D. Miguel faz para assumir o poder. Em razão dessa tentativa, quem toma conta do poder em Aveiro são as forças adversas. E o homem que tinha sido louvado por toda a gente, que tinha tido todos os prémios da cidade de Aveiro… o mesmo senado que lhe deu os prémios expulsou-o de Aveiro por indigno. E ele teve de sair de Aveiro e foi morrer a Leiria anonimamente e sozinho. O terrível é isto, este homem que foi o principal motor da salvação da cidade de Aveiro foi caindo de tal maneira no esquecimento que hoje não há nada sobre ele a não ser uma pequena rua com o seu nome e uma carta que ele escreveu ao rei para o Brasil a dizer que a barra estava aberta.

200 anos foi quanto durou a marcha para o esquecimento?

Claro que na cidade de Aveiro houve sempre afloramentos de gente progressista, desde o José Estêvão ao Mário Sacramento, passando por aquela gente toda que fez os congressos republicanos. Fui muito amigo do Mário Sacramento, do Álvaro Seiça Neves, do João Sarabando, do Costa e Melo que era gente de esquerda, muito corajosa, determinada e firme. Esta gente eram afloramentos na cidade de Aveiro que tinham muito pouco a ver com a vivência reaccionária da cidade de Aveiro. A impressão que eu tenho é que Aveiro é profundamente conservadora. E, portanto, o espírito aberto que era o Gomes de Carvalho não terá caído bem. Porque só assim se explica que tendo Aveiro transformado Gomes de Carvalho num herói local, passado um ano ou dois ele seja expulso da cidade e ninguém tenha reagido.

A peça de teatro a Longa Marcha para o Esquecimento é, portanto, uma parábola?

Completamente. Esta peça de teatro é uma parábola histórica. Eu fui buscar uma figura histórica de Aveiro para meter um pouco a chopa à cidade, para a acusar de não ser digna dos heróis efectivos que tiveram. Efectivamente houve em Aveiro gente de grande prestígio que tem sido esquecida. Quem sabe hoje quem foi Mário Sacramento? Quem é que sabe que nos anos sessenta o intelectual mais ouvido e respeitado em Portugal era um médico de Aveiro chamado Mário Sacramento? E quem sabe quem foi o João Sarabando ou o Álvaro Seiça Neves? Quem é que continua a ter medo desta gente? Efectivamente a revolução do 25 de Abril e as pessoas que estiveram por de trás da abrilada tornaram-se tão incómodas que quem depois tomou conta do 25 de Abril tudo fez para apagar a memória dos que construíram Abril. Eu sou uma das vítimas.

Fecho da barra transforma a ria num pântano
Que razões explicam o fecho da ligação entre a ria e o mar no século XVI?

No século X a costa marítima de Portugal vinha por Espinho, Esmoriz, Ovar, Estarreja, Salreu, Fermelã, Angeja, Alquerubim, Cacia, Esgueira, Aveiro, Ílhavo, Vagos, Porto Mar, Mira e Cabo Mondego. Veja-se por onde o mar andou. Simplesmente, a partir do século X e XI houve um movimento tectónico que fez o fundo da ria subir. Razão dos ventos e das correntes começa-se então a formar um cabedelo de areia que vem de Espinho. Outro cabedelo começa a vir do Cabo Mondego para cima. Quando as duas línguas de areia se juntaram Aveiro tinha 14 mil habitantes, 300 embarcações e mandava à Terra Nova 60 naus por ano à pesca do bacalhau. Acontece que quando o Luís Gomes de Carvalho aqui chegou a população estava nos 3 mil habitantes, deixou-se de ir à Terra Nova e mesmo as pequenas embarcações desapareceram. Aveiro estava cercada de água morta porque o rio Vouga continuava a despejar para a ria cuja água não saia para o mar. Aveiro ficou a afogar-se de tal maneira que as casas das zonas baixas como as do Alboi ou as do Rossio começaram a ficar debaixo de água.

In: Jornal "O Aveiro".

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Visita à exposição: "A Barra e os Portos da Ria de Aveiro 1808 – 1932"

No passado Domingo, depois de ter visitado a fragata Álvares Cabral, tive a possibilidade de passar na Galeria da antiga Capitania do Porto de Aveiro. Desde o dia 03 de Abril, está em exposição o arquivo Histórico da Administração do Porto de Aveiro, denominado "A Barra e os Portos da Ria de Aveiro, 1808-1932".

A historiadora Inês Amorim é comissária da exposição, juntamente com João Garcia. Os dois especialistas foram os responsáveis científicos pela equipa que, durante mais de um ano, inventariou parte do espólio do arquivo do Porto de Aveiro, tratando-se a APA da única administração portuária a proceder a este tipo de trabalho.

No momento em que lá fui, não havia ninguém na galeria, ninguém, para além do "guardião" daquela relíquia histórica... Tive a possibilidade de vaguear à vontade pela exposição, e de certa forma viver o espírito da época, pois é de enaltecer e sobrelevar a força e a coragem dos técnicos, que sem grandes meios, conseguiram levar esta obra a bom porto e fizeram desta terra aquilo que hoje é...

Quem quiser conhecer um pouco sobre a nossa história, terá a possibilidade de o fazer até ao dia 03 de Maio... Aqui fica o convite.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

terça-feira, 8 de abril de 2008

Arquivo APA: Escafandro

1871 - 1922 - Escafandro, N.º A 2236

Armadura de borracha, metal, tela, couro e vidro, usada para trabalhos no fundo da água.

Foto: Porto de Aveiro.

Documento Histórico V - Planta da obra da Barra

Planta datada de 30 de Julho de 1809
Representa a Obra da Barra de Aveiro, aberta a 03 de Abril de 1808, na posição onde ainda hoje se encontra.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Visita à Fragata Álvares Cabral


Desde o passado dia 03 de Abril, que a Fragata Álvares Cabral, se encontrava atracada no Cais Ro-Ro no Terminal Norte do Porto de Aveiro. No fim de semana, as portas do N.R.P. Álvares Cabral (Navio da República Portuguesa Álvares Cabral) foram abertas ao público em geral, a entrada era livre e ainda dava direito a visita guiada.
Como não é todos os dias que temos à porta de casa um Navio de Guerra da Marinha Portuguesa, o barramar.blog não deixou passar este momento em branco e rumou ao Terminal Norte...
Como já seria de prever, só nos foi permitido fotografar o exterior da fragata... e nós assim fizemos, e o resultado foi este...




















Porto de Encontro - 3º Classificado

3º Lugar - Concurso Fotografia "Porto de Encontro"
Autor: Nuno Miguel Ramalho


A Barra abraçada por um belíssimo arco-íris...
Esta fotografia obteve o 3º lugar no concurso de fotografia "Porto de Encontro" promovido pelo Porto de Aveiro, no âmbito das comemorações do Bicentenário da Abertura da Barra de Aveiro.

Parabéns ao seu autor Nuno Miguel Ramalho.