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segunda-feira, 5 de maio de 2008

Aveiro: Número de marinhas mantém-se, mas diminui a área de produção de sal

Foto: Salinas de Pedro Esteves in Olhares.com

São as mesmas as marinhas que iniciaram os trabalhos de preparação para a safra deste ano. Resistem nove marinhas, mas é reduzida a área de produção, duas das quais atingidas pela linha de caminho de ferro em construção.

É o mesmo número de marinhas de sal que irá produzir este ano, comparando com 2007, mas será inferior a área, em parte inviabilizada pelas obras do caminho-de-ferro, de ligação entre Cacia e a área portuária, que irá atravessar a zona do salgado de Aveiro, junto à A25.

Agora é tempo de preparar as marinhas depois das chuvas de Inverno, e o resultado a obter no final da safra dependerá do estado do tempo dos próximos meses. A safra do ano passado não traz boas recordações, uma vez que apenas no final de Julho foi possível iniciar a extracção.


As que se encontram em fase de preparação para a produção são as marinhas: «Podre»,«Caniceira»,«Peijota»,«18Carbonetes»,«Puxadoiros»,«Grã-Caravela»,«Troncalhada», «Santiaga da Fonte», «Senitra» e «Paçã».

A construção da linha de caminho de ferro que avança paralelamente à A-25, entre Mataduços, Esgueira e a Gafanha da Nazaré afecta duas marinhas ao longo das zonas de S. Roque e da ligação de Aveiro à Gafanha da Nazaré. Inviabiliza cerca de metade da marinha «Podre» e uma pequena parte da «Peijota».

As marinhas que ainda sobrevivem estão a ficar cercadas por obras, da construção da ligação ferroviária à área portuária, da nova ponte sobre o Canal das Pirâmides e da consolidação da plataforma da antiga Lota, condicionando as áreas disponíveis para a actividade da produção artesanal de sal assim como os acessos às marinhas.
A tendência para a redução da área colocada «a sal» em cada safra, convive com um novo passo do sector, que visa o desenvolvimento da actividade através de um plano de obras de protecção de áreas de marinhas e da protecção da marca do sal de Aveiro. Num processo em que está envolvida a Associação de Produtores e Marnotos da Ria de Aveiro foi conseguida a aprovação dos 27 Estados Membros da União Europeia que votaram a favor da inserção do sal «no anexo ao Regulamento 510/ 2006 da Comissão sobre a indicação geográfica protegida (IGP) e sobre a denominação de origem protegida (DOP).

O processo de certificação a que é agora possível ter acesso implica, naturalmente, o cumprimento de regras na produção de sal, mas, fundamentalmente, na protecção do produto, passando a ter um certificado de origem de produção artesanal diferente dos que são industrialmente transformados.

Um objectivo importante a atingir é a assegurar que o sal de Aveiro não seja vendido sem a respectiva certificação. Um dos factores que tem contribuído para a decadência da actividade é, precisamente, o comércio de sal como se fosse de Aveiro, sem o ser. Por isso, o mercado do sal, original de Aveiro, poderá agora crescer.
Quanto ao plano de intervenção de protecção das marinhas, através de uma construção ao seu redor, é admitida a possibilidade de passar das nove para 50 marinhas em funcionamento, garantindo uma produção anual de 10 mil toneladas de sal, como disse ao Diário de Aveiro o presidente da associação, Manuel Estrela Esteves.

Fonte: Dário de Aveiro.

domingo, 4 de maio de 2008

No dia da Mãe.... "Mãe, Materno Mar"

Hoje, é o dia de todas as MÃES... por isso decidi vasculhar algo que tivesse a ver a mãe e o mar... Encontrei este livro, da autoria de Boaventura Cardoso, pela sinopse que aqui publicamos, parece ser um livro interessante e bastante acessível a qualquer bolsa.... por isso, aqui fica a sugestão para quem quiser presentear a sua mãe, neste dia tão especial...

Sinopse:

«(...) E ele continuava com as mesmas interrogações sobre o mar. Que ele sabia o mar era uma grande massa e extensão de água salgada que cobre a maior parte da superfície da Terra, os grandes navios a sulcarem as movimentadas águas, os pescadores a enfrentarem as ferozes ondulantes ondas, os assombrados fantasmas, as míticas Kiandas, e os peixes se divertindo nas profundas águas. (...) Que sabia mais ele? Se recordava que a mãe lhe tinha contado que, quando grávida dele, tinha consultado um Kimbanda por causa de umas dores violentas, que a resposta foi que ela se preparasse pois ia dar à luz uma sereia ou um outro qualquer monstro aquático. Ih! (...)»

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Bússola de Bolso

Pequena preciosidade da colecção de Arte de Navegar do Museu Marítimo de Ílhavo, esta bússola de bolso servia de apoio à navegação.

Composto por caixinha de latão, agulha é suportada por pequeno cardin que a mantém suspensa, onde se pode observar a rosa-dos-ventos, graduada e pintada a preto, sobre fundo branco, em que o Norte é indicado por uma magnífica Flor de Liz.

Este objecto já fez parte de diversas exposições itinerantes organizadas pelo Museu Marítimo de Ílhavo...


Fonte: Câmara Municipal de Ílhavo.

Barco Moliceiro


Construído em Pardilhó no ano de 2001, pelo Mestre António Esteves foi adquirido pela Câmara Municipal de Ílhavo para ser exposto no renovado Museu Marítimo de Ílhavo.

O Barco Moliceiro terá resultado de sucessivos e constantes aperfeiçoamentos de uma embarcação pensada para o trabalho, mas concebida para navegar nas águas pouco profundas da Ria.

Barcos há que ao longo do nosso litoral ostentam, por embelezamento ou superstição, alguns signos pictóricos interessantes, mas os moliceiros com as suas quatro iluminuras (painéis) de uma diversificação estonteante, fizeram da nossa Ria uma galeria de arte fluída, em que todos esses elementos estéticos foram mergulhando.

Fonte: Câmara Municipal de Ílhavo.

Aparelho Azimutal


Aparelho Azimutal

Instrumento de navegação astronómica, é usado sobre a agulha magnética para fazer a marcação de pontos em terra e tirar azimutes a astros. Visa-se o objecto reflectido pelo interior do tubo e, com a ajuda do prisma, faz-se a leitura dos valores da marcação.

Este exemplar, com a marca de fabrico “J. Garraio”, pertenceu ao Lugre “Ana Maria”, naufragado devido à passagem de um ciclone nos bancos da Terra Nova, em 1958.

A peça foi doada ao Museu Marítimo de Ílhavo em 12/10/1992 pelo Senhor Capitão José Ângelo Ramalheira.

Fonte: Câmara Municipal Ílhavo.

Gafanha da Nazaré: Pescadores contra fecho da Lota aos feriados

Um grupo de proprietários de embarcações de pesca manifestou-se, ontem à tarde, à entrada do Porto de Pesca Costeira, na Gafanha da Nazaré. Em causa estava o não funcionamento da Lota, por ser feriado, o que os impediu de obter as guias que permitem transportar o pescado. A GNR foi chamada a intervir no local .

Um grupo de 15 pescadores de Vila do Conde manifestou-se, ontem à tarde, à entrada do Porto de Pesca Costeira, na Gafanha da Nazaré, por não haver ninguém ao serviço para lhes ‘passar’ as guias que permitem transportar o pescado.
Os funcionários da Lota gozaram o feriado do 1.º de Maio «sem se lembrarem que o pescador tem que aproveitar os dias bons de pesca», reclama um dos proprietários das embarcações afectadas, António da Costa Craveiro.

Os pescadores afirmam não perceber porque é que os restantes portos do país estão abertos aos feriados e o de Aveiro não. «Sabemos que os portos da Figueira da Foz, de Viana do Castelo, da Póvoa e de Leixões estão abertos; este é o único cujos responsáveis se dão ao luxo de gozar os feriados», lamentam, acrescentando: «Ainda por cima, temos conhecimento de que não está fechado para todos e, isso, não podemos admitir». José da Costa Craveiro recorda que já no feriado anterior, 25 de Abril, a Lota do Porto de Aveiro também se manteve encerrada, esquecendo-se os responsáveis que «cada embarcação tem sete ou oito chefes de família».

O motivo que mais indignação e revolta causa aos pescadores é o facto de terem que «vender o pescado resultante de uma noite inteira de trabalho ao desbarato». E, dão um exemplo, comprovado através das guias que possuíam: no feriado de 25 de Abril venderam 700 quilos de chocos a 70 cêntimos cada quilo, quando o preço normal (do dia de pesca) ronda os três euros.

«É este o prejuízo que temos quando apenas queremos ser honestos e trabalhar dentro da legalidade», reclama Octávio Castro, explicando que a média de pescado que cada embarcação contém ronda os dois mil quilos. «O que acontece é que este peixe, que vamos ser obrigados a congelar, vai ser vendido como sendo fresco», esclarece o pescador.

À entrada do Porto de Pesca Costeira, onde se ouviam as críticas dos pescadores, estiveram agentes do posto da GNR da Gafanha da Nazaré, que dizem ter sido contactados «porque havia uma manifestação».
Contactado pelo Diário de Aveiro, o comandante da Capitania, Alves Salgado, afirma que o assunto é da exclusiva competência da Docapesca, entidade impossível de contactar até ao momento de fecho desta edição.

Fonte: Diário de Aveiro.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Pintura a Óleo - Salinas

Salinas

Pintura a óleo sobre platex da autoria de Cândido Teles.
Esta pintura desenvolve-se em três planos distintos, embora enquadrados numa mesma temática: a actividade das salinas. Nesta composição, datada de 1959 o autor usa tonalidades frias de azul, verde e branco, distinguindo-se as proas dos saleiros pelas suas tonalidades vivas. O horizonte longínquo é separado pelos montes de sal e pelas velas ao fundo.

Esta obra doada por Cândido Teles em Outubro de 1965, pertence à colecção de pintura do Museu Marítimo de Ílhavo.


Fonte: Câmara Municipal de Ílhavo - Agenda de Maio "Viver em"

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Maravilhas do Mundo: Construções na Areia...


Em tempo de praia, construir um castelo na areia, é uma das formas mais comuns das crianças se divertirem à beira-mar... Contudo, ao longo dos tempos, este tipo de brincadeiras, foram adoptadas pelos mais crescidos, ao ponto de serem feitos campeonatos, festivais e espectáculos, para dar a conhecer estas belas representações, simbólicas e características, dignas de serem mostradas em qualquer local que valorize a arte. Deixo-vos na presença destas belas imagens que retratam, na medida do possível a magnitude deste tipo de arte, que tanto aprecio.

Aqui fica um repto a todos os visitantes... Será que alguém é capaz de descobrir onde tirei estas fotos ? ;)


terça-feira, 29 de abril de 2008

O Destino do Peixe... No Museu Marítimo de Ílhavo

Inauguração de exposição - Dia 03 de Maio, Sábado, às 17h00.
Exposição patente até 20 de Julho.



Segundo, Mário Ruivo - Biólogo

Quando folheei pela primeira vez o livro de Isabelle Lebastard (Poemas) e de Brigitte d’Ozouville (Fotografias), para além da transcendência das imagens impressionou-me o quebrar das barreiras culturais que representa. Produto desta nova Europa em que as identidades tradicionais se integram com a vivência num espaço cultural vasto que ultrapassa fronteiras, onde se manifestam as sensibilidades individuais agora desinibidas da ortodoxia dicotómica entre “nós” e os “outros”.

Francesas, investigadoras e mães de família, como elas próprias se apresentam, Isabelle Lebastard e Brigitte d’Ozouville só se encontraram em Portugal, seu “país de adopção”, atraídas ambas pela luz e pela língua que aqui descobriram. É essa luz e essa língua – é esse sentir - que as autoras nos devolvem nesta obra centrada sobre o mar e o litoral. O título, “Destino de Peixe”, desperta-me lembranças pessoais: nasci em Março sob o signo dos peixes e é nos mistérios do mar que tenho andado embrenhado. A todos, por certo, abre-nos as portas da imaginação: os barcos abandonados nos sapais, as redes como espuma ao vento, o céu e os mares azuis a perderem-se no horizonte.


Na complementaridade dos seus Poemas e Fotografias, as autoras transmitem-nos um olhar pleno de intimidade sobre um Portugal que os que aqui nascemos, tendemos muitas vezes a ignorar. Um olhar que é ao mesmo tempo poético e antropológico, pictural e sentimental. Não um simples retrato, afinal, mas uma procura sensível deste país e da memória histórica da sua atitude em face do “Mar – Oceano” em contraponto com o destino – o destino do peixe e o destino do homem que se cruzam: “Rezem para que as almas os pescadores regressem”, “… peixes cujas almas fogem a voar.” “História familiar” do peixe–alimento e do peixe–imaginário. Visão patente nos pratos de cerâmica decorativa que trazem o mar e o peixe para o quotidiano das nossas casas. As meta-fotografias de Brigitte d’Ozouville mostram-nos múltiplas dimensões desta realidade e revelam-na nas abstracções das tintas usadas pelo tempo e pela salsugem ou no entrelaçado das redes modelando a dinâmica das vagas. Universo marcado pela presença do homem como deus ex-machina, o braço que controla a chave do mundo tecnológico em que o pescado se empilha nas “…caixas metálicas bem fechadas”, nas palavras de Isabelle Lebastard.

Vem-me à mente, a propósito, uma reflexão da minha saudosa amiga Elizabeth Mann Borgese, num trabalho sobre o oceano planetário a que estivemos associados e já muito distante no tempo quando acentua que “Só o homem deixou marcas indeléveis da forma como a sua inteligência interpreta o mar e como o mar influi em si e na sua vida, o seu pensamento e a sua concepção do mundo”...


Fonte: Museu Marítimo de Ílhavo.

A Regata Internacional Rota da Luz Rias Baixais – Ria de Aveiro inicia-se este fim-de-semana


A Regata Internacional Rota da luz Rias Baixas – Ria de Aveiro, inicia-se este fim-de-semana, 1 a 4, com o arranque da 1ª etapa Pobra de Caramiñal – Vigo – Povoa de Varzim. No fim-de-semana seguinte, 10 e 11 de Maio, tem lugar a 2ª etapa que percorre Póvoa de Varzim a Aveiro.

Esta regata conta com a organização conjunta de Associação Aveirense de Vela de Cruzeiro – AVELA, Club Atlântico de Navegacíon de Altura de Galicia e o Clube Naval Povoense e apoio da empresa espanhola Maregalia.

A forte componente náutica e marítima da região de Aveiro é um factor de afirmação regional, com dimensão e projecção internacional, que proporciona inúmeras possibilidades de desenvolvimento turístico sustentável. Nesta medida, a Região de Turismo Rota da Luz aproveita o lançamento da Regata para realizar uma campanha promocional na Galiza, envolvendo diversos agentes turísticos regionais que irão assistir a partida da Regata a partir de Pobra de Caraminal (Vigo).

Do programa consta um passeio em Catamaran, visita a pontos estratégicos da ria, jantar de recepção aos convidados e participantes assim como diferentes momentos animação.

A participação da Rota da Luz nesta acção enquadra-se na nova estratégia promocional e comunicacional delineada para a região – uma Região de Água, dinâmica, activa, com espaços de água únicos direccionados para o lazer, diversão, aventura, conhecimento e emoção. Principal produto estratégico para o desenvolvimento turístico regional, o turismo náutico encontra nesta região condições naturais únicas, diferenciadoras, enquadrando-se nas novas tendências da procura turística nacional e internacional.

A promoção da Regata Internacional Rota da Luz Rias Baixas – Ria de Aveiro, a difusão do turismo náutico e as possibilidades de crescimento deste produto e consequente dinâmica das associações e clubes náuticos e agentes turísticos regionais são elementos estratégicos na afirmação e comunicação internacional, da forte componente náutica e marítima que caracteriza e diferencia a Região de Aveiro.
Desta forma a Rota da Luz estará presente de um modo activo promovendo o destino Aveiro, procurando criar diferentes momentos de animação assim como interacção com os variados públicos.

O mercado espanhol representa para a Região de Aveiro o principal mercado internacional emissor de turistas. A Galiza é responsável por uma percentagem elevada de turistas e visitantes na Rota da Luz, deste modo, ao desenvolver mais uma acção promocional em Espanha, a Região de Turismo Rota da luz procura envolver e fidelizar um mercado que encontra no destino Aveiro inúmeros motivos de visita, e com o qual partilha peculiares afinidades.

Segundo Pedro Silva, Presidente da Rota da Luz «Este evento enquadra-se na prioridade de promoção da Região que deve ter o turismo náutico como principal valor na comunicação deste destino turístico de excelência».


Consulte aqui:

Fonte: Rota da Luz.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Selos & Moedas – Edição dedicada ao Bicentenário da abertura da Barra de Aveiro

Revista de Filatelia e Numismática do Clube dos Galitos.
Edição dedicada ao Bicentenário da abertura da Barra de Aveiro.
Abril 2008, Ano 39º, Nº 127.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

MOSTRA FILATÉLICA DO MAR


As comemorações do Bicentenário da abertura da Barra de Aveiro prosseguem. A Secção Filatélica e Numismática do Clube dos Galitos associa-se à efeméride, com a realização da Mostra do Mar – mostra filatélica subordinada ao tema Mar.

Esta iniciativa realizar-se-á de 2 a 7 de Maio, nas instalações da antiga Capitania do Porto de Aveiro (no centro da cidade).

O carimbo comemorativo será lançado sábado, dia 3 de Maio, pelas 14h00, no local da Exposição.


A partir das 15h30m, realizar-se-ão três palestras subordinadas aos seguintes temas:

- “Os Estaleiros dos Mónicas na história da construção naval na Ria de Aveiro”, pelo Capitão João Batel;

- “História Postal – Correio Marítimo”, pelo Dr. Luís Frazão;
- “Pesca do Bacalhau – uma viagem”, pelo Capitão Marques da Silva.

Aveiro, o Clube dos Galitos, a Secção Filatélica e Numismática e a Comissão das Comemorações do Bicentenário da abertura da Barra aguardam pela vossa visita.


Fonte: Porto de Aveiro: Newsletter n.º 134.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Arquivo da APA: Planta do projecto da abertura da Barra


1807 - Cópia de uma planta relativa ao projecto da abertura da Barra de Aveiro, pelo Sarg.to Mor do R. Corpo de Eng.os Luiz Gomes de Carvalho.


Fonte: Porto de Aveiro.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Arquivo da APA: O Sextante Husun N.º 56231

Sextante Husun N.º 56231


O sextante é um instrumento elaborado para medir a abertura angular da vertical de um astro e o horizonte para fins de posicionamento global navegação estimada, mas nada impede de ser usado para calcular as distancias comparando o tamanho aparente de objetos. O seu limbo tem uma extensão angular de 60º (origem da designação sextante) e está graduado de 0º a 120º. Nele corre uma alidade destinada a apontar o instrumento ao objecto visado e a realizar a leitura do ângulo medido. Um sistema de dupla reflexão, formado por um espelho móvel e um espelho fixo, permite efectuar a coincidência entre as imagens do horizonte visual e do objecto observado (ou dos dois objectos observados, no caso de se pretender medir o ângulo entre eles). O sextante marítimo, o mais comum, permite realizar medições angulares com uma exactidão de cerca de 0,5 minutos de arco. Devido à sua grande importância histórica na determinação da posição dos navios no mar, o sextante é o símbolo adoptado pela navegação marítima e pelos navegadores há mais de duzentos anos.

Fonte: Porto de Aveiro e Wikipédia.

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Arquivo APA: O Teodolito

Teodolito SL (Sociéte des Lunetiers Unis)

O teodolito é um instrumento óptico de medida utilizado na topografia, na geodésia e na agrimensura para realizar medidas de ângulos verticais e horizontais, usado em redes de triangulação. Basicamente é um telescópio com movimentos graduados na vertical e na horizontal, e montado sobre um tripé centrado e verticalizado, podendo possuir ou não uma bússola incorporada.


Fonte: Porto de Aveiro e Wikipédia.

Arquivo APA: Termos de entrada de Embarcações 1854-1855

1854-1855 Termos de entrada de embarcações

Livro manuscrito de registo, da Alfândega de Aveiro, dos termos de entrada de embarcações. Na margem, dados quantitativos presentes no texto. Encadernado com pastas revestidas a papel de fantasia, com lombada em pele.


Transcrição do documento

"Nesta mesa grande da Alfândega de Aveiro compareceu José Inácio Caiado, mestre da Bateira portuguesa denominada Olho Vivo vinda do Porto com dois dias de viagem do lote de vinte e nove toneladas com quatro pessoas de tripulação e declarou o mestre trazer a seu bordo os seguintes géneros, a saber. Sete baús com diferentes objectos; um caixão com ditos ditos, um cesto com ditos ditos; um baú de lata com ditos ditos; um embrulho de esteiras; uma bacia de lata; um caixão com farinha de pão e carne.
E por que de nada mais consta a carga da dita bateira assinou o mestre este termo sujeitando-se em tudo às disposições do regimento e mais leis fiscais.

Alfândega de Aveiro oito de Junho de mil oitocentos cinquenta e quatro."


(O mestre assinou de cruz)

(Contém na margem direita do documento uma pequena listagem de elementos informativos a partir do documento: tipo de embarcação, nome, procedência, dias de viagem, tonelagem, n.º de tripulantes e passageiros).

Fonte: Arquivo da Administração do Porto de Aveiro.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Porto de Aveiro: Relatório de Sustentabilidade 2007


No âmbito das Orientações Estratégicas para o Sector Marítimo-Portuário, a Administração do Porto de Aveiro elaborou o seu primeiro Relatório de Sustentabilidade.

Este documento pretende descrever a actividade desenvolvida pela APA, evidenciando a crescente preocupação em atingir os objectivos económicos de rentabilidade sem comprometer as gerações futuras, garantindo a sustentabilidade do meio circundante pela integração dos factores ambientais e humanos.
O documento encontra-se disponível aqui.


Fonte: Porto de Aveiro: Newsletters n.º133.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Arquivo APA: Estaca de Madeira


Estaca das fundações da antiga ponte de madeira que ligava o Forte da Barra à Barra. Foi retirada por ocasião da dragagem do canal de acesso ao novo Sector de Pesca Costeira.

A longa marcha para o esquecimento de Gomes de Carvalho

Foto: Jornal "O Aveiro"

Em 1987, a pedido do Círculo Experimental de Teatro de Aveiro (CETA), escreve uma peça de teatro para comemorar os 30 anos de actividade daquele grupo performativo. E ao seu melhor estilo, pega em acontecimentos históricos para reflectir sobre o presente e chamá-lo à razão.

Jaime Gaspar Gralheiro pegou na obra que abriu a barra de Aveiro para lembrar o seu engenheiro esquecido pela história: Luís Gomes de Carvalho. À peça deu-lhe o nome de A Longa Marcha para o Esquecimento.

Jaime Gralheiro nasceu em São Pedro do Sul em 1930. É advogado, político e dramaturgo. Foi o primeiro presidente da Câmara de São Pedro do Sul, após o 25 de Abril. Regressou sempre à Câmara como vereador do PCP. Escreveu 16 peças para teatro. Ramos partidos, Belchior, Farruncha, o Fosso, Na Barca com o Mestre Gil são apenas algumas das obras que foram encenadas de Norte a Sul do país. Obras sempre baseadas em factos históricos com as quais pretende passar recados ao presente. A Longa Marcha para o Esquecimento é disso exemplo. No ano em que se comemoram 200 anos sobre a abertura da barra propôs que a peça voltasse ao palco. Não teve resposta de Aveiro.

Em 1987 foi convidado pelo Círculo Experimental de Teatro de Aveiro (CETA) para escrever uma peça de teatro sobre Aveiro. Como é que lhe surge a ideia de escrever sobre a abertura barra de Aveiro?

Sempre tive uma grande admiração pelo CETA que, nessa altura, era dos melhores grupos de teatro amadores do país. Aceitei o convite, pouco sabia de Aveiro e comecei a pesquisar. A certa altura, num texto qualquer, vi uma referência a Luís Gomes de Carvalho com uma nota que dizia: "Com quem Aveiro foi muito injusto". Eu andava à procura de um tema com choque dramático e, através daquela nota de rodapé, fui procurando saber quem era esse tal Gomes de Carvalho.

Que descobriu acerca de Gomes de Carvalho?

Descobri uma conferência notável do Comandante Rocha e Cunha pronunciada na Sociedade de Geografia, em 1921, onde o mesmo historiava detalhadamente todo o calvário pelo qual a cidade de Aveiro passou, desde que a barra se fechou, em 1575, em razão de um Inverno pavoroso a partir do qual a cidade ficou sem ligação ao mar, até 1808 quando a Barra foi aberta. O Comandante Rocha e Cunha conta isso com grande pormenor e aponta determinadas pessoas que se distinguiram nessa luta que durou 233 anos. E posso dizer que a primeira promessa que apareceu da parte do poder para que a barra fosse aberta foi do próprio Filipe I, porque a Câmara de Aveiro foi das primeiras a dar as boas vindas ao rei espanhol.

Mas não foi Filipe I a testemunhar a abertura da barra.

O primeiro aveirense que lutou bravamente para que o porto fosse aberto foi Cristóvão de Pinho Queimado, do século XVII para o século XVIII, quando o rei era D. Afonso VI. Nessa altura chegaram mesmo a vir a Aveiro uns engenheiros hidráulicos holandeses que eram, na Europa, quem mais sabia sobre engenharia hidráulica. Eles vieram cá, deram sugestões, mas não se chegou a avançar com nada.

Até que no tempo do Marquês de Pombal há uma nova tentativa para abrir a barra. E quem está por de trás dessa tentativa é o Duque de Aveiro que patrocina a petição e essa vontade dos aveirenses. Simplesmente o Duque de Aveiro é apanhado na conspiração contra o rei e cai na desgraça.

E eis que surge Gomes de Carvalho.

Exactamente. Já no reinado de Dona Maria II, quando era regente o seu filho que veio a ser o D. João VI, no dia 2 de Janeiro de 1802, é expedido aviso régio para o coronel Reinaldo Oudinot e para o seu genro, o engenheiro Luís Gomes de Carvalho. Os dois estavam na época a trabalhar nas obras do Porto de Leixões. No dia 21 desse mesmo mês estes dois engenheiros militares marcharam para Aveiro. Ainda antes do projecto ter sido aprovado conseguiram autorização da rainha para iniciarem as obras sob a direcção de Luís Gomes de Carvalho. A teimosia da barra tinha encontrado pela frente a teimosia do homem.

Que circunstâncias levam o engenheiro Luís Gomes de Carvalho a assumir tanta preponderância nas obras da abertura da barra?

Ele era um homem determinado e teve uma atitude perante o porto que nunca ninguém tinha tido. Ele corre toda a bacia, estuda-a do ponto de vista das marés, das plantas, das ondas, dos ventos… Ele faz um estudo integrado da ria, o que era notável para o princípio do século XIX. Por isso ele começa a ter alguma preponderância. Embora quem mandasse fosse o coronel Reinaldo Oudinot, que mandou abrir inclusivamente um canal para drenar mais facilmente as águas, e que ainda hoje é conhecido pelo canal Oudinot, a certa altura o coronel terá tido alguma crispação com o genro. Passado um ou dois anos deles terem iniciado as obras da construção do porto de Aveiro, o coronel Oudinot vai para a Madeira para preparar as obras do porto do Funchal e o Gomes de Carvalho é que fica a dirigir as obras em Aveiro.

Como se processaram os trabalhos técnicos para abrir a barra?

O Gomes de Carvalho, face à corrente do rio Vouga, resolve abrir um leito novo, a que deu o nome de Rio Novo do Príncipe. O objectivo era que o rio entrasse mais directa e facilmente em direcção ao local que ele escolheu para abrir a barra. Esse local escolhido é precisamente o sítio onde presentemente se dá a ligação da ria com o mar, ao contrário da antiga barra que estava situada na Vagueira. Para isso ele precisou de armazenar junto à futura abertura uma grande quantidade de água. Para tal fez um paredão que vinha desde as Gafanhas e que serviu para conduzir as águas em direcção ao local onde seria aberta a barra.

Conta a história que as pedras utilizadas na construção desse paredão tiveram proveniência da muralha de Aveiro.

Exactamente. Como não havia pedra nessa altura o Gomes de Carvalho propôs que as da muralha de Aveiro fossem utilizadas nesses paredões. Essas pedras, que dantes eram utilizadas para defender Aveiro dos piratas, passaram a ser muralhas para defenderem Aveiro das tormentas do mar. Ele então começa a fazer essa barreira de maneira a que a água da ria se começa a acumular. Ele queria juntar o máximo de água junto à futura abertura para que esta pudesse funcionar como pressão para abrir a barra. É que o Gomes de Carvalho chegou à conclusão que a diferença de nível entre a maré baixa e a altura que poderia obter com essa acumulação de água era de dois ou três metros, desnível esse que, depois de aberta uma pequena abertura entre a ria e o mar, seria o suficiente para empurrar toda a água para fora.

Foi então que a água da ria se acumulou tanto a ponto de inundar as zonas baixas da cidade de Aveiro.

Simplesmente, quando a água começa a encher, os donos das marinhas, que na altura eram as pessoas mais ricas de Aveiro, começaram a ficar prejudicados imediatamente porque as salinas ficaram inundadas e deixaram de produzir sal. E os protestos da população foram subindo de tom a ponto do Gomes de Carvalho ter ficado praticamente sozinho na sua determinação de abrir a barra no local que tinha escolhido.

Entretanto, no Inverno de 1808 choveu tanto que Aveiro começa a ficar inundada. A cidade chegou a ter água até aos telhados das zonas mais baixas. Toda a gente andava desesperada e só ele dizia: "Isto é ouro que está a cair". Porque ele tinha determinado que precisava de ter um desnível muito alto para depois, quando abrisse uma pequena abertura entre o mar e a ria, os milhões de quilolitros de água por si só cavassem aquilo que naquela altura as máquinas não conseguiam fazer.

E, por fim, abre-se a barra em 1808…

A água atinge o ponto máximo e o Gomes de Carvalho com a ajuda de meia dúzia de pessoas, a 3 de Abril de 1808, vai ao local onde tinha determinado a abertura, arranca a pequena barragem de estacas, ele próprio risca com a bota o local por onde a abertura acontecerá, abre-se um pequeno canal entre a ria e o mar e rapidamente a água começa a fluir, a fluir, a fluir e cavar um canal. E em três dias a água escoa tudo, a barra fica aberta e a cidade fica seca.

E foi de tal maneira isto que a cidade de Aveiro aclamou o Gomes de Carvalho como um grande herói, deram-lhe todas as honras e ele passou de odiado a grande herói porque fez aquilo que em duzentos e tal anos ninguém tinha feito.

A abertura da barra representou para a região o próprio futuro. Tendo sido um empreendimento tão potencializador, como se explica que o seu obreiro, o engenheiro Gomes de Carvalho, seja hoje um desconhecido da história?

Simplesmente Gomes de Carvalho era um liberal. Houve ostensivamente uma vontade política de apagar o nome de Luís Gomes de Carvalho. O facto dele ter assumido claramente uma posição liberal, numa terra em que as posições de direita normalmente imperam, caiu mal no caldo cultural na cidade de Aveiro.

É que nessa altura acontecem as guerras liberais entre D. Pedro e D. Miguel. Em 1823 dá-se a Vila Francada que é a primeira tentativa que D. Miguel faz para assumir o poder. Em razão dessa tentativa, quem toma conta do poder em Aveiro são as forças adversas. E o homem que tinha sido louvado por toda a gente, que tinha tido todos os prémios da cidade de Aveiro… o mesmo senado que lhe deu os prémios expulsou-o de Aveiro por indigno. E ele teve de sair de Aveiro e foi morrer a Leiria anonimamente e sozinho. O terrível é isto, este homem que foi o principal motor da salvação da cidade de Aveiro foi caindo de tal maneira no esquecimento que hoje não há nada sobre ele a não ser uma pequena rua com o seu nome e uma carta que ele escreveu ao rei para o Brasil a dizer que a barra estava aberta.

200 anos foi quanto durou a marcha para o esquecimento?

Claro que na cidade de Aveiro houve sempre afloramentos de gente progressista, desde o José Estêvão ao Mário Sacramento, passando por aquela gente toda que fez os congressos republicanos. Fui muito amigo do Mário Sacramento, do Álvaro Seiça Neves, do João Sarabando, do Costa e Melo que era gente de esquerda, muito corajosa, determinada e firme. Esta gente eram afloramentos na cidade de Aveiro que tinham muito pouco a ver com a vivência reaccionária da cidade de Aveiro. A impressão que eu tenho é que Aveiro é profundamente conservadora. E, portanto, o espírito aberto que era o Gomes de Carvalho não terá caído bem. Porque só assim se explica que tendo Aveiro transformado Gomes de Carvalho num herói local, passado um ano ou dois ele seja expulso da cidade e ninguém tenha reagido.

A peça de teatro a Longa Marcha para o Esquecimento é, portanto, uma parábola?

Completamente. Esta peça de teatro é uma parábola histórica. Eu fui buscar uma figura histórica de Aveiro para meter um pouco a chopa à cidade, para a acusar de não ser digna dos heróis efectivos que tiveram. Efectivamente houve em Aveiro gente de grande prestígio que tem sido esquecida. Quem sabe hoje quem foi Mário Sacramento? Quem é que sabe que nos anos sessenta o intelectual mais ouvido e respeitado em Portugal era um médico de Aveiro chamado Mário Sacramento? E quem sabe quem foi o João Sarabando ou o Álvaro Seiça Neves? Quem é que continua a ter medo desta gente? Efectivamente a revolução do 25 de Abril e as pessoas que estiveram por de trás da abrilada tornaram-se tão incómodas que quem depois tomou conta do 25 de Abril tudo fez para apagar a memória dos que construíram Abril. Eu sou uma das vítimas.

Fecho da barra transforma a ria num pântano
Que razões explicam o fecho da ligação entre a ria e o mar no século XVI?

No século X a costa marítima de Portugal vinha por Espinho, Esmoriz, Ovar, Estarreja, Salreu, Fermelã, Angeja, Alquerubim, Cacia, Esgueira, Aveiro, Ílhavo, Vagos, Porto Mar, Mira e Cabo Mondego. Veja-se por onde o mar andou. Simplesmente, a partir do século X e XI houve um movimento tectónico que fez o fundo da ria subir. Razão dos ventos e das correntes começa-se então a formar um cabedelo de areia que vem de Espinho. Outro cabedelo começa a vir do Cabo Mondego para cima. Quando as duas línguas de areia se juntaram Aveiro tinha 14 mil habitantes, 300 embarcações e mandava à Terra Nova 60 naus por ano à pesca do bacalhau. Acontece que quando o Luís Gomes de Carvalho aqui chegou a população estava nos 3 mil habitantes, deixou-se de ir à Terra Nova e mesmo as pequenas embarcações desapareceram. Aveiro estava cercada de água morta porque o rio Vouga continuava a despejar para a ria cuja água não saia para o mar. Aveiro ficou a afogar-se de tal maneira que as casas das zonas baixas como as do Alboi ou as do Rossio começaram a ficar debaixo de água.

In: Jornal "O Aveiro".

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Visita à exposição: "A Barra e os Portos da Ria de Aveiro 1808 – 1932"

No passado Domingo, depois de ter visitado a fragata Álvares Cabral, tive a possibilidade de passar na Galeria da antiga Capitania do Porto de Aveiro. Desde o dia 03 de Abril, está em exposição o arquivo Histórico da Administração do Porto de Aveiro, denominado "A Barra e os Portos da Ria de Aveiro, 1808-1932".

A historiadora Inês Amorim é comissária da exposição, juntamente com João Garcia. Os dois especialistas foram os responsáveis científicos pela equipa que, durante mais de um ano, inventariou parte do espólio do arquivo do Porto de Aveiro, tratando-se a APA da única administração portuária a proceder a este tipo de trabalho.

No momento em que lá fui, não havia ninguém na galeria, ninguém, para além do "guardião" daquela relíquia histórica... Tive a possibilidade de vaguear à vontade pela exposição, e de certa forma viver o espírito da época, pois é de enaltecer e sobrelevar a força e a coragem dos técnicos, que sem grandes meios, conseguiram levar esta obra a bom porto e fizeram desta terra aquilo que hoje é...

Quem quiser conhecer um pouco sobre a nossa história, terá a possibilidade de o fazer até ao dia 03 de Maio... Aqui fica o convite.