quinta-feira, 12 de junho de 2008

Grupo Silva Vieira vai despedir 219 pescadores devido ao aumento de custos com combustíveis

O grupo Silva Vieira, com sede na Gafanha da Nazaré, Ílhavo, anunciou o despedimento de 219 pescadores que trabalhavam até agora em sete navios, quatro dos quais da frota longínqua, que decidiu imobilizar a partir de quinta-feira devido aos aumentos de custos com combustíveis que, alegou, tornaram inviável manter a exploração.

A informação foi veiculada através de um comunicado da Associação dos Armadores da Pesca Longínqua (ADAPLA) que é presidida pelo armador António Silva Vieira, um dos maiores do sector em Portugal.

O grupo Silva Vieira decidiu suspender a saída das embarcações Joana Princesa, Brites, Caribe, Red (todos navios fábrica da pesca longínqua) e ainda os barcos de pesca costeira Mar de Viana, Mar de Sines e Mar de Galega.
Os 219 pescadores afectados irão ser agora “convidados” a abandonar os seus postos de trabalho, sendo-lhes passados os documentos para o fundo de desemprego.

Fonte: www.noticiasdeaveiro.pt

terça-feira, 10 de junho de 2008

Dia de Camões e de Portugal

Em dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, aqui fica a nossa homenagem, com este belíssimo poema de Florbela Espanca intitulado:


"VOZES DO MAR"

Quando o sol vai caindo sobre as águas
Num nervoso delíquio d'oiro intenso,
Donde vem essa voz cheia de mágoas
Com que falas à terra, ó mar imenso?...

Tu falas de festins, e cavalgadas
De cavaleiros errantes ao luar?
Falas de caravelas encantadas
Que dormem em teu seio a soluçar?

Tens cantos d'epopeias? Tens anseios
D'amarguras? Tu tens também receios,
Ó mar cheio de esperança e majestade?!

Donde vem essa voz, ó mar amigo?...
... Talvez a voz do Portugal antigo,
Chamando por Camões numa saudade!


Florbela Espanca

"A GRANDE AVENTURA" - Um documentário sobre a história do bacalhau...

ESTREIA HOJE NA RTP 2 ÀS 23:30

"A GRANDE AVENTURA" é um documentário sobre a pesca do bacalhau e a memória dos portugueses na Terra Nova.

Nos dias de hoje, a pesca do bacalhau é, acima de tudo, um objecto cultural e memorial. Tema forte e muito expressivo de um certo imaginário português, sugere uma abordagem estética e exaltante, mas sobretudo didáctica e plural. Uma abordagem documental capaz de ser apreciada pelas gerações mais jovens de portugueses, pelas comunidades marítimas e emigrantes e por todo um público estrangeiro interessado nas grandes narrativas da vida marítima.

Os depoimentos que preenchem este filme revelam-nos homens de afoito e sabedoria, que se fizeram no confronto com os mares frios da Terra Nova e da Gronelândia. A “ganância” de pescar moldou-lhes um carácter simultaneamente rude e afectuoso, destemido e ingénuo, feito de grandes respeitos e de profundas cumplicidades com o mar.

Pescadores e capitães contam as venturas e desventuras das suas viagens ao “cabo do mundo”, relatam-nos o que sentiram e viveram durante longos anos de mar. São depoimentos que impressionam, que evocam e esclarecem o modo de pescar português entre os anos quarenta e setenta do século XX. Uma pesca destinada a abastecer a Nação e a engrandecer o Estado, na maioria das unidades da frota era feita com linhas de mão, a bordo de pequenos botes de um só homem, arriados de veleiros que, ainda vivos, já eram verdadeiras relíquias internacionais.


Realização de Francisco Manso e guião de Álvaro Garrido. Uma co-produção Francisco Manso e RTP2 com a duração de 52m.

Fonte: RTP

sexta-feira, 6 de junho de 2008

O dia a dia de um pescador no Séc XIX...

O "Fiel Amigo" chegava a Portugal de várias formas. Até o meio do século XX, os próprios portugueses aventuravam-se, pelos perigosos mares da Terra Nova, no Canadá, para a pesca do bacalhau.
Nos finais do séc. XIX, as embarcações portuguesas enviadas à pesca do Bacalhau eram de madeira e à vela, sendo praticada a pesca à linha.


No artigo que se segue, da autoria de Teresa Reis sobre "A pesca do Bacalhau", está bem patente o dia a dia de um pescador, vivido na época...

"Na pesca do bacalhau, tudo era duplamente complicado. "Maus tratos, má comida, má dormida... Trabalhavam vinte horas, com quatro horas de descanso e isto, durante seis meses. A fragilidade das embarcações ameaçava a vida dos tripulantes" dizia Mário Neto, um pescador que viveu estes episódios e pode falar deles com conhecimento de causa.
Quando chegava à Terra Nova ou Gronelândia, o navio ancorava e largava os botes. Os pescadores saíam do navio às quatro da manhã e só regressavam à mesma hora do dia seguinte, com ou sem peixe e uma mínima refeição: chá num termo, pão e peixe frito. No navio, o bacalhau era preparado até às duas ou três da manhã. Às cinco ou seis horas retomava-se a mesma faina. Isto, dias e dias a fio, rodeados apenas de mar e céu."

A captura do "Fiel Amigo"

A escalar o Peixe

O Homem do Leme

quinta-feira, 5 de junho de 2008

A pesca do "Fiel Amigo"...

“Os meus romances, no fundo, são franceses, como eu sou, em quase tudo, um francês – excepto num certo fundo sincero de tristeza lírica que é uma característica portuguesa, num gosto depravado pelo fadinho, e no justo amor do bacalhau de cebolada!”

Eça de Queiroz ( carta a Oliveira Martins )

Postal: Pescador a bordo do Dóri.


"Gosto de bacalhau seco, compacto. Sempre esqueço que é um peixe que singrou outrora os mares até cair nas malhas e na ganância dos pescadores. Presente raro dos deuses, o bacalhau, para mim, nasceu simplesmente salgado, sempre em postas e, neste estado, graças ao engenho humano, é levado à mesa e entregue à sanha de nossa gula."

Nélida Piñon, Brasil, 1996

Postal: Pescador a bordo do Dóri. Ao fundo o navio-mãe.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Dóris: O Bote dos Bacalhoeiros...

Quadro Óleo s/tela: PREPARANDO O DÓRI
Imagem retirada do blog: http://maolmar.blogs.sapo.pt/

Introduzidos nos finais do século XIX, os Dóris, eram embarcações pequenas de fundo chato e tabuado, muito utilizados na prática da pesca à linha, e que davam apoio a uma embarcação de maior porte.

A pesca à linha era uma prática muito dura e trabalhosa, exigindo do pescador um grande esforço e desgaste quer na pesca durante o dia inteiro quer remando o seu bote para o largo ou de regresso a bordo do navio-mãe.

Ao final do dia, os Dóris eram recolhidos, e todo o peixe é retirado e registado o que cada pescador conseguiu pescar. Sob o olhar atento do Capitão, começa a próxima etapa, a escala e a salga do peixe.

Um esforço sem limites, que no final acabará por compensar todos os pescadores e suas famílias...



Curiosidades:

Na Mitologia grega, Dóris é uma das três mil Oceânides, filhas de Oceanus e de Tétis.

Teve como marido Nereu, com o qual teve cinquenta filhas, as Neréiades.

Dóris é uma das três mil oceânides, divindades aquáticas. Seus pais são Oceanus, um dos doze titãs, e sua irmã, Tétis, que representa a fecundidade feminina do mar.

Dóris irá desposar Nereu, chamado “o velho do mar”. Este é filho de Gaia, a Terra, e de Pontos, a onda marinha.

Da união dos dois nascerão as nereidas, divindades marinhas. Além dessas cinqüenta filhas, Dóris conceberá de seu esposo o jovem Nérites. Dotado de grande beleza, este será amado por Afrodite. Mas, por não querer seguir a deusa, abandonando o reino de seus pais, é metamorfoseado em concha. Dessa forma, acaba permanecendo para sempre junto de sua mãe.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Dia Mundial dos Oceanos: 8 de Junho

Dia 08 de Junho comemora-se o dia mundial dos oceanos e o Oceanário de Lisboa irá desenvolver uma acção que sensibilize os cidadãos para a necessidade de conservar os oceanos, através da alteração de comportamentos.

Desde sempre que os oceanos influenciam a história do Homem, a sua cultura e a sua vida. Não só como fonte de alimento, mas também como modo de vida, fornecendo identidade a inúmeras comunidades.

O papel dos oceanos é fundamental para o equilíbrio ecológico do planeta pois, não só controlam o clima global como, produzem 70% do oxigénio libertado para a atmosfera. A sua vastidão representa 95% do espaço disponível para a vida, albergando uma diversidade inigualável de seres vivos. Os oceanos são, ainda, fonte de recursos vivos, de recursos minerais e de energia.

O Oceanário de Lisboa celebra o Dia Mundial dos Oceanos, promovendo uma acção que sensibilize os cidadãos para a necessidade de conservar os oceanos e o planeta, através da alteração de comportamentos. Acreditamos que se mudarmos a nossa atitude e reduzirmos o nosso impacto negativo sobre a natureza será possível a utilização e dependência dos recursos naturais por muitas gerações. Para facilitar, iremos oferecer aos visitantes uma lista pessoal de eco-atitudes que, ao ser colocada em prática, fará com que poupemos dinheiro, energia, água e, acima de tudo, a salvar o nosso planeta.

Clique aqui para descarregar a Lista de Eco-Atitudes (2.93 Mb) preparada pelo Oceanário e coloque-a no frigorífico, ou noutro local nem visível. :-)

Mostra Filatélica do Mar - Carimbo Comemorativo

Lançamento do carimbo comemorativo da Mostra Filatélica do Mar, em barco moliceiro, frente ao edifício da antiga Capitania de Aveiro a 3 de Maio, pelas 14h00.

Barra de Aveiro: "UM MAR DE SONHOS"

Dois dias dedicados exclusivamente às Comemorações do Bicentenário da abertura da Barra de Aveiro...

Dias 14 e 15 de Junho venha assistir à Regata “200 Anos da Abertura da Barra de Aveiro” , prova desportiva que inclui um fantástico espectáculo piromusical. “MAR DE SONHOS”, aguarda por todos nós, sábado, dia 14, pelas 22h30.

Exposição: "A Explicação do Vento", por Marcos Sílvio

Catálogo Exposição

No próximo sábado, pelas 17h, vai proceder-se, na Galeria dos Paços do Concelho, à inauguração da exposição “A Explicação do Vento”, de Marcos Sílvio.
A exposição, que inclui dezenas de modelos de navios em madeira e desenhos a óleo sobre tela, e que se integra nas comemorações do Bicentenário da Abertura da Barra de Aveiro, é assim descrita por José Paradela:

“Na sua pintura, a luz, a água e o vento, são de modo recorrente, os materiais temáticos, com os quais vai construindo imagens e paisagens inventadas, onde se movem naves cumprindo rotas no sopro do vento: Os barcos de ontem e de hoje, independentes do Tempo, navegando algures para nenhures, como objectos silenciosos para lá da última fronteira…

Marcos Sílvio habituou-nos a uma pintura figurativa, independentemente das fases que tem atravessado, ora mais geométricas ora mais orgânicas.

Mas a sua pintura, para além das apuradas técnicas que a caracterizam, só aparentemente representa navios ou embarcações. Na verdade esses navios não são retratos! Não se trata ali de representar, mas de ser. Cada nave é. É um ente criado para nos transportar a outros locais, quer existam na memória, quer sejam do domínio do sonho, no interior das suas paisagens feitas de líquidos luminosos! (…)

(…) Daqueles navios sobraram estórias que vai contando como memórias descritivas; estórias dos homens que os construíram, dos homens que os habitaram, dos homens que ali sofreram e a quem muitas vezes serviram de tumba. (…)

(…) É admirável esta exposição, pela paixão que comporta, pela persistência compulsiva do tema, pelo entusiasmo de explicar materializando, o objecto mediúnico das suas transposições poéticas. Mas ela não poderá ser totalmente entendida se alienarmos o universo pictórico do autor.

“Foi pelo vento que fomos” ou “A explicação do vento”, são portanto títulos que lhe fazem jus, e é por aí que, em meu entender, esta exposição deve ser saboreada...
E comovidamente sentida, porque estamos perante uma declaração de amor”.

Fonte: Porto de Aveiro: Newsletter n.º142.