segunda-feira, 30 de junho de 2008

Peixeiras de Ílhavo – século XIX de Zé Penicheiro


Pintura a gouache sobre platex, da autoria de Zé Penicheiro (a obra encontra-se assinada e datada no canto inferior direito), retrata uma cena familiar: a composição revela-nos duas peixeiras, de pé, e uma outra sentada, com uma criança ao colo. Sob fundo dourado e azul – representativo da areia e do mar, enquanto as mulheres aparecem representadas com
tonalidades escuras.
A peça foi doada ao Museu Marítimo de Ílhavo pelo autor em 1989.

Fonte: Câmara Municipal de Ílhavo: Agenda "Viver em"

Funchal 500 anos: Regata dos Grandes Veleiros - Participantes I

Alexander Von Humboldt

Autor da foto: Ursula Iglesias


Classe A
Bandeira Alemã
l.o.a. 54m
Armação Barca de 3 mastros
Ano de construção 1906
Porto de origem Bremen, Alemanha
Inscrito por DSST - STAG



DADOS BIOGRÁFICOS

Alexander von Humbdolt foi lançado em 1906, com o nome de Sonderburg, mas passou a maior parte da sua vida como um navio-farol de nome Kiel, na Costa do Mar do Norte da Alemanha. Assim que os navios-farol foram extintos, kiel foi substituído por um barco automático, no entanto trabalhava como navio--farol de reserva.

Em 1986, Kiel foi comprado pela Sail Training Association of Gernany (STAG), para ser transformado num veleiro de 3 mastros. O custo foi financiado pela STAG e pela DSST - a Associação Alemã para o Treino de Mar fundada pela fábrica de cerveja, Becks e Co. e um empresário sedeado em Bremen.

Infelizmente, o barco sofreu alguns danos após ter sido albarroado por um cargueiro de 20,000 toneladas, mas após as reparações, foi transferido para Bremerhaven e foi convertido numa barca.

Em 1988, foi baptizado de Alexander von Humboldt, em honra do famoso naturalista e viajante do mundo alemão, que foi o co-fundador da Universidade de Berlim. Logo após o relançamento, atingiu a sua velocidade máxima, até ao momento, de 10,5 nós.

Imagem retirada do blog: http://ajaneladealberti.blogspot.com/

Fonte: Câmara Municipal de Ílhavo.

FUNCHAL: 500 Anos - Regata de Veleiros (TALL SHIPS REGATTA 2008)

Em Setembro e Outubro de 2008 irá decorrer um festival nos portos de Falmouth, Ílhavo e Funchal, onde alguns dos maiores veleiros do mundo (Grandes Veleiros de Classe "A") vão marcar presença.

O evento será um dos pontos altos das celebrações do V Centenário da cidade do Funchal e relevará a importância da mais antiga cidade do Novo Mundo enquanto urbe virada para o mar e com grandes tradições marítimas.

ROTA E PORTOS DE ACOLHIMENTO

A Regata tem quase a mesma rota comercial que os veleiros tradicionais do passado usavam para cruzar o Atlântico Norte, uma rota a sul para aproveitar os ventos predominantes.


De Falmouth a Ílhavo (Porto de Aveiro) são cerca de 630 milhas náuticas su-sudoeste. Com, Ushant (noroeste de França) e Cabo Finisterra (noroeste de Espanha) e os ventos predominantes de oeste para noroeste, a primeira etapa da regata pode apresentar um número de desafios tácticos para a frota. O que será quase certo para os veleiros com velame de forma quadrada que não conseguem andar contra o vento “bolinar” como as embarcações com velas tradicionais (vela grande e velas de proa).

De Ílhavo ao Funchal são mais 630 milhas náuticas sudoeste em mar alto, os desafios tácticos para melhor aproveitar o vento e a corrente podem ser decisivos para o resultado final.
As três comunidades de acolhimento são, agora, consideradas "Portos Amigos" das escolas de vela, oferecendo apoio e serviços a barcos escola durante todo o ano. Os três portos vêm a sua participação nesta Regata como continuadores desta filosofia, assim como, a possibilidade de oferecerem às suas comunidades um espectáculo único quando a frota estiver no porto.



Fonte: http://www.funchal500anos.com

Veleiro Shabab Oman no Porto de Aveiro.



O veleiro Shabab Oman acostou ao Porto de Aveiro na passada sexta-feira. Proveniente de Omã, a embarcação participará na Tall Ship Race, no próximo mês de Setembro. A passagem pelo Porto de Aveiro destinou-se a conhecer melhor o porto e a região.

Construído em Buickie, na Escócia, em 1971, o RNOV “Shabab Oman” entrou ao serviço da Armada Real de Oman em 1979, funcionando como navio-escola para a formação de pessoal militar e civil. A tripulação é composta por sete oficiais, sete sub-oficiais de Marinha e 18 marinheiros. Tem capacidade para alojar 26 estudantes com mais de 17 anos.
Para além das actividades formativas, o veleiro tem também servido como embaixador de boa vontade do sultanato, com quatro continentes já visitados, escalas em cerca de 100 portos de 43 países diferentes.

Clique aqui para mais detalhes.

Fonte: Porto de Aveiro.

sábado, 28 de junho de 2008

OVAR: A Barra e os Portos da Ria de Aveiro em exposição na Biblioteca Municipal

Hoje, pelas 18 horas, na Biblioteca Municipal de Ovar, vai proceder-se à inauguração da exposição “A Barra e os Portos da Ria de Aveiro 1808 – 1932, no Arquivo Histórico da Administração do Porto de Aveiro”.

Patente até 26 de Julho, a exposição comissariada por João Carlos Garcia e Inês Amorim (ambos professores da Faculdade de Letras do Porto), cumpre em Ovar a segunda etapa de um circuito de itinerância pela Península Ibérica. Etapa que resulta de parceria entre a Câmara Municipal de Ovar, a Administração do Porto de Aveiro e a Câmara Municipal de Aveiro, sendo patrocinada pela reputada empresa SORGAL.

Integrada no programa comemorativo do Bicentenário da abertura da Barra de Aveiro (03.04.1808), é composta por documentos do Arquivo Histórico do Porto de Aveiro, empresa que, segundo José Luís Cacho, Presidente do Conselho de Administração, “decidiu libertar o seu património histórico-documental da clausura que o agrilhoava em inútil penumbra, fomentando-se, a partir de agora, o seu usufruto pela comunidade”.

O programa da inauguração abre com palavras de boas vindas pelo Presidente da Câmara Municipal de Ovar, Manuel Alves de Oliveira. Segue-se intervenção de José Luís Cacho, Presidente do Conselho de Administração da APA, e a apresentação, por Inês Amorim, do livro de sua autoria, “PORTO DE AVEIRO: Entre a Terra e o Mar”. O acto inaugural encerra com a apresentação e visita aos quatro núcleos do espólio patente na Biblioteca Municipal de Ovar.

Exposição composta por quatro núcleos - “I – A RIA DE AVEIRO”; “II – A BARRA DE AVEIRO”; “III – A NAVEGABILIDADE DA RIA DE AVEIRO”; “IV – AS MARINHAS DE SAL DA RIA DE AVEIRO”.

Fonte: Porto de Aveiro: Newsletters n.º 147

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Cartografia: Prof. Dr. Carlos Alberto Nabais

Estes, são alguns mapas da colecção particular do Prof. Dr. Carlos Alberto Nabais Conde, que estiveram em exposição na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, no âmbito do circuito de itinerância da exposição “A Barra e os Portos da Ria de Aveiro 1808 – 1932, no Arquivo Histórico da Administração do Porto de Aveiro”, e que nos ajudam na compreensão do evoluir do litoral português.

Citações:

«É este conjunto, diversificado, que compõe o Arquivo da Administração do Porto de Aveiro. Se, a complementar Biblioteca, contém um acervo de obras impressas relativas a obras portuárias, nacionais e estrangeiras, justificadas pelos interesses das equipas técnicas e de engenharia, acrescentam-se muitas outras, sobre as actividades económicas e ambientais, gerais e locais, geradas e geradoras, das dinâmicas sócio-económicas».

Inês Amorim (comissária da exposição)

«Aproveitando a belíssima colecção do Professor Doutor Carlos Alberto Nabais Conde, seleccionámos alguns mapas dos séculos XVII e XVIII que podem ajudar na compreensão do que ia acontecendo com o evoluir desta grande forma litoral».

Fernando Rebelo (docente da FLUC)


Mapa do Reino de Portugal, de Giovani Maria Cassini, publicado em Roma em 1794

Mapa da costa de Portugal, de Robert Dudley, 1661

Fonte: Universidade de Coimbra.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Saga, Ópera Extravagante


O teatro O Bando em co-produção com a Marinha através da Banda da Armada irá realizar Saga, Ópera Extravagante. O espectáculo conta com um misto de poesia e prosa de Sophia de Mello Breyner Andresen, dramaturgia e encenação de João Brites e composição musical do Sargento músico Jorge Salgueiro.

O evento decorrerá de 19 de Junho a 13 de Julho, às 21h30, com actuações de quinta a domingo, ao ar livre na Praça do Império, com entrada pelo Museu de Marinha, alas poente e norte do Mosteiro dos Jerónimos.

DESCRIÇÃO:
Joana é uma jovem que quer ser marinheira e não a deixam. Este é o ponto de partida para "SAGA - Ópera Extravagante", um espectáculo do Teatro O Bando em co-produção com a Marinha.




Fonte: Museu da Marinha.

terça-feira, 24 de junho de 2008

O lugre "Creoula"

Construído nos Estaleiros Navais de Lisboa (CUF), no tempo "record" de 62 dias úteis, o lugre "Creoula" é considerado um navio gémeo do "Argus" e do "Santa Maria Manuela".

Lançado à água em 1937, terá realizado ao serviço da Parceria Geral de Pescarias, cerca de 37 campanhas na Terra Nova, terminando a sua carreira piscatória em 1973. Numa viagem de rotina, este lugre de quatro mastros navegava com 54 pescadores, entre os quais se contavam 9 marinheiros e 1 contramestre, que acumulavam as funções da pesca. Atendendo as condições agrestes de navegação, a construção do navio é reforçada. O casco de aço, à semelhança do resto da frota, estava pintado de branco, permitindo o reconhecimento dos navios portugueses, neutrais durante a Segunda Guerra Mundial, pelas forças em conflito. Com um sistema que aliava o motor à vela, o "Creoula" tinha excelentes qualidades náuticas que se reflectiam, por exemplo, na velocidade.

Quando o tempo era favorável, chegava a atingir os treze nós, cobrindo a distância entre os bancos da Terra Nova e Lisboa em cerca de dez dias. Partindo de Lisboa em fins de Março, o "Creoula", num ano de boa pescaria, comportava cerca de 800 toneladas de peixe e, aproximadamente, 60 toneladas de óleo de fígado. No início dos anos oitenta, a Secretaria de Estado das Pescas, apoiada pela Secretaria de Estado da Cultura, adquiriu este lugre, transformando-o num navio de treino da Escola de Pesca.

Iniciando esta nova carreira em 1987, o "Creoula" voltou a içar as suas velas e a cruzar os mares, desta vez ao serviço da Marinha, enquanto Unidade Auxiliar.


Fonte: Marinha

segunda-feira, 23 de junho de 2008

O ASSALTO AO "SANTA MARIA"... Um pouco de História....


... Em Janeiro de 1961 deu-se o assalto ao paquete "Santa Maria", incidente que na época notabilizou a contestação ao Governo de Oliveira Salazar, e introduziu a prática, depois muito difundida internacionalmente, de sequestrar navios e aviões com fins políticos.

O "Santa Maria" havia largado de Lisboa a 9 de Janeiro de 1961 em mais uma das suas viagens regulares à América Central, fazendo escala no porto venezuelano de La Guaira no dia 20. Entre os passageiros embarcados neste porto, contava-se um grupo de 20 membros da DRIL - Direcção Revolucionária Ibérica de Libertação, organismo constituido por opositores aos regimes de Franco e Salazar, cujo comandante era o capitão Henrique Galvão, que embarcou clandestinamente no "Santa Maria" um dia depois, em Curaçau, com mais três elementos da DRIL. Galvão estava exilado na Venezuela desde Novembro de 1959, e em Julho de 1961 havia concluído os planos de assalto ao "Santa Maria". Fora escolhido este paquete por ser muito superior aos diversos navios de passageiros espanhóis que na altura faziam a carreira da América Central. O capitão Galvão pretendia deslocar-se no "Santa Maria" até à colónia espanhola de Fernando Pó, no golfo da Guiné, cuja tomada permitiria em seguida efectuar um ataque a Luanda e iniciar, a partir de Angola, o derrube dos Governos de Lisboa e de Madrid.


Horas depois da largada de Curaçau, o "Santa Maria" navegava rumo a Port Everglades, na Florida, com 612 passageiros e 350 tripulantes, sob o comando do capitão da Marinha Mercante Mário Simões da Maia, quando, precisamente à 1 hora e 45 minutos da madrugada de 22 de Janeiro de1961, os 24 homens de Henrique Galvão tomaram conta da ponte de comando e da cabine de TSF, dominando os oficiais do navio. O terceiro piloto João José Nascimento Costa ofereceu resistência aos assaltantes e foi morto a tiro. Pouco depois, o "Santa Maria" alterou o rumo para leste, procurando alcançar rapidamente o Atlântico. A 23 de Janeiro, o navio aproximou-se da ilha de Santa Lúcia e desembarcou, numa das lanchas a motor, 2 feridos graves com 5 tripulantes, comprometendo a possibilidade de atingir a costa de Africa sem ser detectado. No dia 25, o paquete cruzou-se com um cargueiro dinamarquês, traindo a sua posição, o que permitiu a um avião norte-americano localizar o "Santa Maria" horas depois. Finalmente a 2 de Fevereiro o "Santa Maria" fundeou no porto brasileiro do Recife, procedendo ao desembarque dos passageiros e tripulantes. Chegou a ser considerado o afundamento do paquete, mas no dia seguinte os rebeldes entregaram-se às autoridades brasileiras, obtendo asilo político, ao mesmo tempo que o "Santa Maria" voltava à posse da Companhia Colonial de Navegação.


Os passageiros do paquete assaltado foram transferidos para o "Vera Cruz", que saiu do Recife a 5 de Fevereiro, chegando a Lisboa a 14 do mesmo mês, após escalar Tenerife, Funchal e Vigo. Por sua vez o "Santa Maria" largou do Recife a 7 de Fevereiro, entrando no Tejo, embandeirado em arco, a 16 e atracando a Alcântara...

... Independentemente dos aspectos políticos que na altura rodearam o caso "Santa Maria", este incidente acabou por fazer do navio o mais famoso dos paquetes portugueses. Embora o "Infante Dom Henrique" e o "Príncipe Perfeito" fossem mais recentes, o "Santa Maria" era um navio de prestígio por excelência, situação a que não era estranho o facto de ser o único navio de passageiros português a manter uma ligação regular entre Portugal e os Estados Unidos da América.

Coincidindo com o desvio do "Santa Maria", deflagraram a 4 de Fevereiro, em Luanda, incidentes graves, seguidos, em Março, do começo da guerra no Norte de Angola. O Governo de Lisboa decidiu enfrentar a situação, enviando a partir de Abril ràpidamente e em força importantes reforços militares. Esta decisão implicou, de imediato, a requisição de diversos paquetes e navios de carga afretados pelo Ministério do Exército para efectuarem o transporte de tropas e material de guerra. A utilização esporádica para este fim de navios de passageiros portugueses vinha já do século XIX, passando a partir de 1961 a constituir uma das principais ocupações permanentes dos paquetes portugueses...

In: Paquetes Portugueses de Luis Miguel Correia