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terça-feira, 10 de junho de 2008

Dia de Camões e de Portugal

Em dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, aqui fica a nossa homenagem, com este belíssimo poema de Florbela Espanca intitulado:


"VOZES DO MAR"

Quando o sol vai caindo sobre as águas
Num nervoso delíquio d'oiro intenso,
Donde vem essa voz cheia de mágoas
Com que falas à terra, ó mar imenso?...

Tu falas de festins, e cavalgadas
De cavaleiros errantes ao luar?
Falas de caravelas encantadas
Que dormem em teu seio a soluçar?

Tens cantos d'epopeias? Tens anseios
D'amarguras? Tu tens também receios,
Ó mar cheio de esperança e majestade?!

Donde vem essa voz, ó mar amigo?...
... Talvez a voz do Portugal antigo,
Chamando por Camões numa saudade!


Florbela Espanca

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Participe!!! É a sua vez....

O Ciclo de Poesia, organizado pela Universidade de Aveiro e pela Fundação João Jacinto de Magalhães, continua esta Segunda-feira, 2 de Junho, às 21h30, na Fábrica – Centro de Ciência Viva de Aveiro.

A sessão será protagonizada pelo próprio público que é convidado a levar um poema sobre o Mar e a dizê-lo. Participe!

domingo, 6 de abril de 2008

Poesia: Farol de mim por Lena Maltez

Numa das suas passagens por este blog, Lena Maltez, uma assídua leitora apaixonada pelo farol e pela região, teve a gentileza de me deixar um belíssimo poema. Em jeito de agradecimento aqui o publico "Farol de mim".

Farol de mim

não sabes ver ou sentir
a quietude silente

sei quem és, onde pertences

sorrio-te,
em dias de luz difusa
ou só de nevoeiro
sorrio-te,
nas noites repetidas
sem astros

reparto contigo solidão
pedaços de alegria
momentos de tristeza
...paixão

congemino definições
talvez exactas
talvez adversas
talvez por seres
um amigo confidente
talvez pelo brilho
que busco na ausência

tens o mar por companhia,
acodes os aflitos
apontas caminhos
com ciência cativa
entre os teus segredos

e dizer-te mais?
que (já) vives
no meu sorriso.

e estarás comigo,
em lembranças
entre os muros
abissais da saudade

leito vazante
para uma linha obstinada
entre o tempo e o espaço


sobejas
farol de mim!
e fio de luz
... estendido
até ao amanhecer
... naufragado
entre ilusões
em dias sem sol

e assim mesmo
a ti não hei-de dizer
"adeus"

Lena Maltez
(e retoques do vento)

segunda-feira, 31 de março de 2008

O Mar - em Sophia de Mello Breyner Andresen - II

Mar

Mar, metade da minha alma é feita de maresia
Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
Mais fortes se levantam outra vez,
Que após cada queda caminho para a vida,
Por uma nova ilusão entontecida.

E se vou dizendo aos astros o meu mal
É porque também tu revoltado e teatral
Fazes soar a tua dor pelas alturas.
E se antes de tudo odeio e fujo
O que é impuro, profano e sujo,
É só porque as tuas ondas são puras.


Autor:Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, 11 de março de 2008

Canção de Aveiro: MOLICEIRO


I
Meia-noite ria abaixo
Lá vai lesto o moliceiro
Vai retratando nas águas
As saudades do barqueiro

II
Nas noites em que há luar
Quando passas moliceiro
És das coisas mais bonitas
Que tem a ria de Aveiro

REFRÃO
Ai, ai, ai, lindo moliceiro
Deixa-me ir contigo à ria de Aveiro
À ria D'Aveiro à ria sem par
Lindo moliceiro que andas a vogar
Que andas a vogar na ria d'Aveiro
Deixa-me ir contigo, lindo moliceiro

Fonte: Confraria São-Goncalo.

quarta-feira, 5 de março de 2008

O Mar - em Sophia de Mello Breyner Andresen - I




No Fundo do Mar

No fundo do mar há brancos pavores,
Onde as plantas são animais
E os animais são flores.

Mundo silencioso que não atinge
A agitação das ondas.
Abrem-se rindo conchas redondas,
Baloiça o cavalo-marinho.
Um polvo avança
No desalinho
Dos seus mil braços,
Uma flor dança,
Sem ruído vibram os espaços.

Sobre a areia o tempo poisa
Leve como um lenço.

Mas por mais bela que seja cada coisa
Tem um monstro em si suspenso.


Autor: Sophia de Mello Breyner Andresen
Obra Poética I

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Poema Mar de Miguel Torga

Neste Dia Nacional do Mar, vamos sentir o mar bem de perto, com Miguel Torga...

Mar!
Tinhas um nome que ninguém temia:
Eras um campo macio de lavrar
Ou qualquer sugestão que apetecia...
Mar!
Tinhas um choro de quem sofre tanto
Que não pode calar-se, nem gritar,
Nem aumentar nem sufocar o pranto...
Mar!
Fomos então a ti cheios de amor!
E o fingido lameiro, a soluçar,
Afogava o arado e o lavrador!
Mar!
Enganosa sereia rouca e triste!
Foste tu quem nos veio namorar,
E foste tu depois que nos traíste!
Mar!
E quando terá fim o sofrimento!
E quando deixará de nos tentar
O teu encantamento!

Miguel Torga
in "Poemas Ibéricos"