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domingo, 18 de maio de 2008

Gentes da Terra: Prof. João Moço Reigota

Prof. Reigota


Neste mês de Maio, marcado por vários festivais, nomeadamente o 12º Festival de Folclore Primavera, realizado no âmbito do 1º de Maio - Dia do Trabalhador, dedicamos este espaço ao Prof. João Reigota, pelo seu trabalho realizado em prol da preservação dos valores culturais ilhavenses, muito em especial ligados à etnografia e ao folclore.

Nascido a 13 de Setembro de 1941, na Gafanha da Boavista, Freguesia de S. Salvador, João Reigota ali passou a mocidade, ocupando os seus tempos livres na convivência com os amigos, a jogar futebol ou a pescar num “chinchorro”, que mais tarde viria a ser seu. Frequentou a Escola Primária na Gafanha de Aquém e prosseguiu os seus estudos durante mais 5 anos no Colégio de Ílhavo. Decidido a enveredar pela carreira do Ensino, João Reigota concluiu o curso de Professor do Magistério Primário de Coimbra.

Chamado ao serviço militar, passou por Mafra, Vila Real e Abrantes, tendo sido posteriormente mobilizado para as ex-províncias ultramarinas da Guiné e Cabo Verde. Após a sua passagem à disponibilidade, iniciou funções docentes na Escola n.º 2 Sul da Gafanha da Encarnação, onde leccionou durante 32 anos.

Para além do Ensino, o Prof. João Reigota sempre demonstrou um grande dinamismo, lutando em prol da população da Gafanha da Boavista. Em 1977, encabeçou a Comissão de Moradores e diligenciou junto do então Capitão do Porto de Aveiro, da Fábrica da Vista Alegre e da Câmara Municipal de Ílhavo para que se procedesse à construção da ponte que liga a Boavista à Vista Alegre, tendo participado igualmente na construção do Centro Cultural e Recreativo da Gafanha da Boavista, inaugurado em 1978.

Presidente da Casa do Povo de Ílhavo, desde 1973, o Prof. João Reigota impulsionou a criação do Rancho Regional da Casa do Povo. Tudo aconteceu na sequência de uma esta de Natal realizada em 1983, no Centro Cultural da Gafanha da Boavista, onde um grupo de jovens da terra presentou algumas danças de folclore. O projecto de avançar com um Rancho Folclórico foi bem recebido por todos, tendo, dois anos mais tarde, após uma exibição em Corticeiro de Cima, integrado a Federação Nacional de Folclore, realizando desde então uma média de 30 festivais por ano.

Com uma grande aptidão para a cozinha e apreciador do fiel amigo, o Prof. João Reigota foi um dos fundadores da Confraria Gastronómica do Bacalhau (1999), com o objectivo de divulgar e promover a confecção do bacalhau e a gastronomia do Município de Ílhavo, contribuindo, assim, para o seu processo de afirmação enquanto Capital do Bacalhau, nomeadamente através da realização anual das Tasquinhas de Ílhavo, mantendo ainda hoje o título de Grão Mestre.

Foi pelo trabalho notável que tem desenvolvido ao nível da preservação e da promoção dos valores da história e da cultura do Município, muito em especial no que respeita à gestão do Rancho Regional da Casa do Povo de Ílhavo, assim como de outras actividades associativas e comunitárias, sendo um exemplo de Dirigente Associativo dedicado e empenhado na dinamização social do Município, que a Câmara Municipal de Ílhavo agraciou o Prof. João Reigota com a Medalha de Mérito Cultural, no âmbito das Comemorações do Feriado Municipal de 2007.

Fonte: Câmara Municipal de Ílhavo - Agenda "Viver em"

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Ilustres Aveirenses: VON HAFE João Henrique Adolfo

VON HAFE João Henrique Adolfo

João Henrique Adolfo Von Hafe, foi um dos ilustres aveirenses, homenageado no passado dia 28 de Abril, no Museu da Cidade. Nasceu no Porto em 1855 e aí mesmo viria a falecer em 1930, foi um empenhado engenheiro da JARBA (Junta Autónoma da Ria e Barra de Aveiro), e o seu trabalho ainda hoje é reconhecido.

Da sua acção destacou-se, o Estudo e o Projecto de Melhoramento da Barra, em 1925 e 1927 respectivamente, onde actuou e defendeu a construção de um dique de concentração de correntes e o prolongamento do molhe norte, em mais 300 metros em direcção ao mar.

Este projecto viria a ser aprovado, em 1930, depois de aperfeiçoado pela Missão Inglesa (firma inglesa, especializada e consultada para esta matéria a pedido do Ministério das Obras Públicas) vindo a servir de pedra basilar na primeira fase do plano portuário de Aveiro.

O Eng.º Von Hafe propugnou também por uma Barra a 18 pés, à custa do prolongamento do Molhe Norte e sem dragagens.

A este ilustre se deveu também o Anteprojecto de um porto de comércio e de pesca que propunha um plano geral de construção do porto interior de Aveiro.
Aqui fica a nossa homenagem...


Projecto de melhoramento da Barra de Aveiro, da autoria do Engº Von Hafe.

Fonte:
Arquivo do Distrito de Aveiro, 1947, Vol. XIII
A Barra e os Portos da Ria de Aveiro 1808 - 1932, APA- Administração do Porto de Aveiro, 2008.
Porto de Aveiro: Entre a Terra e o Mar, Inês Amorim, 2008.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

18 de Maio - Dia Internacional do Museus


Dia 18 de Maio, celebra-se o dia internacional dos Museus. O Museu Marítimo de Ílhavo, irá assinalar este dia com a inauguração da exposição temporária de pintura e desenho “Rostos da Pesca” e a apresentação do livro-álbum "Portugal no Mar".


"Rostos da Pesca" é uma exposição que reúne obras de Silva Porto, Marques de Oliveira, João Vaz, Ricardo Hogan, Lázaro Lozano, entre outros. São cerca de trinta obras de pintura e desenho, oriundas de museus portugueses e colecções particulares, representam a forma como os pintores viram e representaram, de maneira figurativa, os rostos humanos das pescarias portuguesas...


“Portugal no Mar: Homens que foram ao Bacalhau” é um livro-álbum que surge no seguimento da exposição "Caixa de Memoria", exposição mais visitada até ao momento no Museu Marítimo de Ílhavo. A edição deste catálogo, foi uma das formas encontradas para divulgar o projecto, que faz o devido tributo aos homens que foram ao bacalhau, e que fizeram da grande pesca o seu modo de vida.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Arquivo da APA: Planta do projecto da abertura da Barra


1807 - Cópia de uma planta relativa ao projecto da abertura da Barra de Aveiro, pelo Sarg.to Mor do R. Corpo de Eng.os Luiz Gomes de Carvalho.


Fonte: Porto de Aveiro.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Visita à exposição: "A Barra e os Portos da Ria de Aveiro 1808 – 1932"

No passado Domingo, depois de ter visitado a fragata Álvares Cabral, tive a possibilidade de passar na Galeria da antiga Capitania do Porto de Aveiro. Desde o dia 03 de Abril, está em exposição o arquivo Histórico da Administração do Porto de Aveiro, denominado "A Barra e os Portos da Ria de Aveiro, 1808-1932".

A historiadora Inês Amorim é comissária da exposição, juntamente com João Garcia. Os dois especialistas foram os responsáveis científicos pela equipa que, durante mais de um ano, inventariou parte do espólio do arquivo do Porto de Aveiro, tratando-se a APA da única administração portuária a proceder a este tipo de trabalho.

No momento em que lá fui, não havia ninguém na galeria, ninguém, para além do "guardião" daquela relíquia histórica... Tive a possibilidade de vaguear à vontade pela exposição, e de certa forma viver o espírito da época, pois é de enaltecer e sobrelevar a força e a coragem dos técnicos, que sem grandes meios, conseguiram levar esta obra a bom porto e fizeram desta terra aquilo que hoje é...

Quem quiser conhecer um pouco sobre a nossa história, terá a possibilidade de o fazer até ao dia 03 de Maio... Aqui fica o convite.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Camponesa de Ílhavo: Pintura a óleo de J.P. Ribeiro,

Pintura a óleo de J.P. Ribeiro, retrata uma camponesa de Ílhavo de meados do século XIX. Figura altiva, foi retratada trajando a rigor, com a sua saia negra rodada, bolsa à cinta, colete, chinelas e chapéu de abas largas, envolto pelo seu lenço. Ao fundo e de horizonte longínquo e baixo, a paisagem da Ria.

Fonte: Câmara Municipal de Ílhavo - Agenda Viver em - Abril 2008

domingo, 6 de abril de 2008

Poesia: Farol de mim por Lena Maltez

Numa das suas passagens por este blog, Lena Maltez, uma assídua leitora apaixonada pelo farol e pela região, teve a gentileza de me deixar um belíssimo poema. Em jeito de agradecimento aqui o publico "Farol de mim".

Farol de mim

não sabes ver ou sentir
a quietude silente

sei quem és, onde pertences

sorrio-te,
em dias de luz difusa
ou só de nevoeiro
sorrio-te,
nas noites repetidas
sem astros

reparto contigo solidão
pedaços de alegria
momentos de tristeza
...paixão

congemino definições
talvez exactas
talvez adversas
talvez por seres
um amigo confidente
talvez pelo brilho
que busco na ausência

tens o mar por companhia,
acodes os aflitos
apontas caminhos
com ciência cativa
entre os teus segredos

e dizer-te mais?
que (já) vives
no meu sorriso.

e estarás comigo,
em lembranças
entre os muros
abissais da saudade

leito vazante
para uma linha obstinada
entre o tempo e o espaço


sobejas
farol de mim!
e fio de luz
... estendido
até ao amanhecer
... naufragado
entre ilusões
em dias sem sol

e assim mesmo
a ti não hei-de dizer
"adeus"

Lena Maltez
(e retoques do vento)

quinta-feira, 27 de março de 2008

Peça de Teatro "Mar" de Miguel Torga

Já dizia o velho ditado "O sonho comanda a vida", e foi do sonho de três homens (Humberto Rocha, Manuel Cruz Caçador e Sargento Padilha) que surgiu o primeiro grupo de teatro amador na Gafanha da Nazaré. Apesar das dificuldades económicas... e não só, em manter este tipo de arte, a força e o entusiasmo das gentes da terra, era mais que muito. E foi então que a 27 de Setembro de 1973, surge o Grupo Activo de Teatro Amador (G.A.T.A.).

Curiosamente a primeira peça a ser encenada, por este grupo de artistas amadores, foi a peça de Teatro "Mar" de Miguel Torga, onde é abordada a vida dos pescadores do bacalhau, os seus anseios e as suas incertezas...

A peça estreou a 13 de Julho de 1974, no Salão Paroquial da Casa do Povo da Gafanha da Nazaré com lotação esgotada... E foi um verdadeiro sucesso. Aqui fica a foto de todo o elenco...


Fotos In: Boletim Cultural da Gafanha da Nazaré N.º 1 - 1.º Semestre de 1985 - Ano I.

terça-feira, 25 de março de 2008

Blog: Artes Romão

No passado dia 19 de Março, recebi um simpático comentário da Rita Merendeiro, uma aveirense de gema, amante da região, do mar e de tudo que envolva arte... Como sou curiosa por saber um pouco mais acerca de quem passa pelo barramar.blog, fui dar uma olhadela ao blog da sua autoria... o Artes Romão e fiquei surpreendida com o talento desta jovem. Por isso decidi trazer-vos uma pequena amostra daquilo que poderá descobrir em: http://artesromao.blogspot.com/.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Artesão: José Alberto Ferreira


Nascido em Ílhavo a 06 de Janeiro de 1946, José Alberto Malaquias Ferreira é um conhecidíssimo artesão da região.
Em 1964 tirou o curso de Serralharia Mecânica na Escola Industrial e Comercial de Aveiro, e em 1969 concluiu o curso de Engenheiro Maquinista na Escola Náutica de Lisboa.


O seu interesse pela arte de colocar barcos dentro de garrafas, surgiu a partir de 1982, em conjunto com o seu sogro Samuel Corujo, mas só a partir de 2001, altura em que se reformou da Marinha Mercante, é que se dedicou de formar mais activa a esta forma de arte. Faz miniaturas de barcos, sobretudo antigos veleiros usados na pesca do bacalhau, e coloca dentro de garrafas de vidro. Os barcos são introduzidos nas garrafas pelo gargalho, com os mastros e o velame completamente arreados, que depois são erguidos dentro da garrafa, à custa de um paciente e minucioso trabalho.

Já participou em várias feiras de artesanato da região de Aveiro (FARAV) e exemplares da sua obra como artesão podem ser encontrados espalhados por todo o mundo.

Fonte: http://barcosemgarrafas.no.sapo.pt/

quarta-feira, 12 de março de 2008

O farol, um amigo - por Manuel Olívio da Rocha

Ainda de Pedra em Pedra... por Manuel Olívio da Rocha, um gafanhão, já há muitos anos radicado no Porto, recorda com "graça" as suas brincadeiras de infância, passada na Gafanha da Nazaré, junto da Ria.


O Farol, um amigo.

"Hoje, afeitos aos truques electrónicos, quase não ligamos à luz do Farol.
À noite, entrava-me pela janela o foco e, eu e meu irmão, entretínhamo-nos a contar o tempo de uns sinais para os outros.
Aguçava a nossa curiosidade e regularidade dos ditos sinais. Como é que eles faziam isso? E para que servia?
… Os pescadores contavam-nos casos vividos por eles em que, se não tinham naufragado, o deviam aos faróis que os avisavam do perigo…
Então ainda gostávamos mais daquela luz. Era como se um Amigo nos entrasse pela janela. E adormecíamos bem acompanhados…"

In: Boletim Cultural da Gafanha da Nazaré N.º 1 - 1.º Semestre de 1985 - Ano I.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

"Praia Nua" de Armando Pereira da Silva

Foto: Costa Nova possivelmente em finais do séc XIX.

«Amanhã, vais ter comigo à praia, vais?
No dia seguinte, era feriado e realizava-se a festa dos pescadores da Costa Nova. A tarde estava quente quando entrei no autocarro para lá. O céu era azul, aquele azul através do qual nos parece descortinar o iodo característico. Atravessei a Gafanha por entre alas enormes de bicicletas e outros meios de transporte, em pro­cura, toda a gente, das praias e da romaria. Foi nessa viagem que conheci aquela com quem brevemente me vou casar.»

Excerto de “PRAIA NUA” - 1963 in Contos, Armando Pereira da Silva

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

De pedra em pedra - por Manuel Olívio da Rocha

Manuel Olívio da Rocha, um gafanhão, já há muitos anos radicado no Porto, recorda com "graça" as suas brincadeiras de infância, passada na Gafanha da Nazaré, junto da Ria.

Postal: Cambeia e Farol em 1927


"De pedra em pedra, saltávamos, quando brincávamos na Ria.

Se queríamos atravessar um rego mais fundo, para não molhar os fundilhos das calças, qual era a solução? Saltar de pedra em pedra.

Mas quando acontecia irmos, de pedra em pedra, em busca de larotes, de camarão e, por vezes, de uma enguiazita. Que festa! Com todo o cuidado, as mãos avançavam e, de repente, zás! : – Ó tu, apanhei mais um!
E agora me lembro que palmilhávamos toda uma «praia», e, ainda de pedra em pedra, mas para as virar e, com a respiração suspensa, aguardar o safio que saía de lá debaixo.

Ah!, meus amigos, acreditai que era o melhor desporto que me podiam oferecer – o esperar que a maré descesse, o avançar cauteloso, o virar a pedra e, com agilidade, tentar agarrar o peixito que se esgueirava. Depois, chegar a casa e a Mãe regalar o gato com a nossa rica pescaria! Ele era cada uma!

Mas ir de pedra em pedra, por vezes era sinal de toda uma janela sem vidros. Este «desporto» é que nunca foi do meu agrado – sê-lo-á para alguém? Mas, um dia – diz a história que «há sempre um dia» -, indisposto com um galo que fugiu do capoeiro, peguei numa caliça e, trás!, lá se foi o vidro da Mercília! Ah, «coça abençoada»! Coitado de mim. E o galo, cá! cá! cá!, ainda parecia estar a fazer troça! Ai, ele é isso?! Espera… O que te ‘safou’ foi não haver mais pedras…"

In: Boletim Cultural da Gafanha da Nazaré N.º 1 - 1.º Semestre de 1985 - Ano I.

domingo, 30 de dezembro de 2007

Capitão Francisco Correia Marques

Nado e criado em terras de Ílhavo, foi o dia 14 de Dezembro de 1930 que o viu nascer. Descendente de uma família marcada pelo odor da maresia, seu pai e avô foram ilustres scadores, tendo o primeiro daqueles embarcado, em plena meninice, com apenas 10 anos de idade (1906), como moço no lugre Gazela e, em 1919, como capitão na galera Ferreira. Aos 16 anos, Francisco Marques terminou o curso Liceal ingressando na Escola Náutica, concluindo o curso com 18 anos. Embarca, por esta altura, no S. Gonçalinho rumo à Gronelândia.

De 1948 a 1950 desempenhou funções de piloto no arrastão S. Gonçalinho. Nas campanhas do bacalhau de 1951 a 1953 foi imediato no lugre Adélia Maria (pesca à linha) e, de 1954 a 1960, Capitão do referido navio. Com a mestria de quem conhece o mar como a palma das mãos comandou embarcações como o João Vilarinho, S. Rui, Neptuno e Creoula. De 1964 e 1975 trabalhou na secagem do bacalhau e aparelhamento de navios na Parceria Geral de Pescarias do Barreiro.

Aposentou-se em 1987, mas não se alheou do mar...
Foi convidado para fazer cursos de formação, primeiro sobre a pesca do bacalhau na Empresa de Pesca de Aveiro, em 1997, e depois fez 2 anos de cursos de marinharia, no Sindicato dos escadores, em Aveiro. Em parceria com a Dra. Ana Maria Lopes, antiga directora do Museu Marítimo de Ílhavo, e estudiosa da Ria e das suas embarcações, escreveu o livro "Faina Maior". Colaborou no filme "A Glória desta Faina" e no projecto "De Novo na Terra Nova" (1998), sendo nomeado como Director de Treino na viagem do Creoula a S. John’s.

Em 1999, foi convidado pelo Presidente da Câmara Municipal de Ílhavo a assumir o cargo de Director do Museu Marítimo, que desempenhou até Junho de 2002. Acções de formação em diversos estabelecimentos de ensino, palestras em várias instituições sobre a pesca do bacalhau, são amarras que continuam a ligar este homem ao mar.

Mestre na arte de marear, entregou-se intrépido, desde tenra idade ao desbravar de ventos e marés em busca de mares pródigos de peixe e de portos longínquos seguros.

Fonte: Câmara Municipal de Ílhavo.

MULHER DE ÍLHAVO



Aguarela da autoria de Alberto Souza (assinada e datada, 1938, no canto inferior direito).
Este retrato de Palmira de Jesus revela-nos a simplicidade dos trajes das peixeiras de Ílhavo, com os seus tradicionais xailes e rodilhas de pano na cabeça.

A tez acastanhada e as feições rudes evidenciam uma mulher de trabalho árduo.

Esta aguarela foi doada ao Museu Marítimo de Ílhavo pelo autor em 10 de Setembro de 1957.




Fonte: Câmara Municipal de Ílhavo

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

O "Ti Ameixa" e a Barca

O seu nome é José da Graça, mas, por herança do avô, é conhecido por todos como Manuel Ameixa. O “Ti Ameixa”, como carinhosamente também lhe chamam, é uma figura emblemática do nosso Concelho pela sua ligação à Ria e ao vaivém das travessias efectuadas entre a “Bruxa” e a Costa Nova.

Nascido há 80 anos na Gafanha da Encarnação, o contacto do Ti Ameixa com a Ria começou logo na infância. Depois da escola, o seu maior prazer era ir à procura do pai para poder andar na apanha do moliço, tendo mesmo, com apenas 5 anos, aprendido a manobrar a barca. Nessa altura, eram vários os barcos que faziam o transporte de pessoas entre as duas margens, tendo o pai optado então por essa actividade em parceria com o filho, de 11 anos de idade, num negócio que dava sustento a toda a família. Vinha muita gente de longe, sobretudo depois da vindima, para uns dias de descanso na Costa Nova. Celebravam-se ali muitos aniversários… e até os enterros passavam nas barcas!

Durante mais de 20 anos, Manuel Ameixa dedicou-se exclusivamente a esta actividade. Mas, após a construção da ponte nova e a consequente diminuição de clientela, optou por ir trabalhar na Junta Autónoma do Porto de Aveiro. Mas não abandonou o transporte por completo. Durante os fins-de-semana e nas férias de Agosto ajudava o irmão, que entretanto ficara encarregue do negócio.

Com mais de sete décadas ao leme da sua barca, o Ti Ameixa é o único nos tempos que correm a fazer as travessias. Não tem memória de acidentes, penas de um pequeno susto quando, certo dia ao sair da Costa Nova, sozinho, se levantou vento com o qual não contava. Felizmente conseguiu controlar a barca e seguiu viagem. Guarda, sim, boas recordações, quando outrora as raparigas cantavam, dançavam e o obrigavam a dançar com elas.
Estas são as memórias de outros tempos, homenageadas pela Câmara Municipal de Ílhavo quando, em 2000, colocou uma barca que pertencia à família de Manuel Ameixa numa das rotundas da Estrada da Mota. A esta barca só a imaginação pode levar mais longe, mas a do Ti Ameixa continua a contar com a sua sagacidade e engenho para que a “Bruxa” e a Costa Nova continuem unidas pelo beijo molhado da Ria, sob o olhar atento de tantos quantos se aventuram nesta calma e inesquecível travessia.

Fonte: Câmara Municipal de Ílhavo.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Costa Nova - Palheiro de José Estêvão

"... a Costa Nova - e eu considero esse um dos mais deliciosos pontos do globo. É verdade que estávamos lá em grande alegria e no excelente chalé Magalhães."

Eça de Queirós, cartas intimas 15 de Julho de 1893

"...Filho de Aveiro, educado na Costa Nova, quase peixe da ria, eu não preciso que mandem ao meu encontro caleches e barcaças. Eu sei ir por meu próprio pé ao velho e conhecido 'palheiro' de José Estêvão..." E na mesma carta, acrescenta: "Apesar de ter retardado ontem o meu jantar até às nove da noite, não pude desbastar a minha montanha de prosa. Levar as provas para os areais da Costa Nova, não é prático - ó homem prático! Há lá decerto a brisa, a vaga, a duna, o infinito e a sardinha - coisas essenciais para a inspiração - mas falta-me essa outra condição suprema: um quarto isolado com uma mesa de pinho."

Eça de Queirós, carta a Oliveira Martins (1884)

Era assim, que em pleno século XIX ,o escritor Eça de Queirós, descrevia as suas passagens pela Costa Nova, um dos frequentadores assíduos do mais famoso Palheiro da Costa Nova, o Palheiro do ilustre José Estêvão, que ali fazia gala em receber muitos dos seu amigos , e onde passaram momentos inesqueciveis.

José Estêvão Coelho de Magalhães, nasceu em Aveiro a 26 de Dezembro de 1809, e faleceu em Lisboa a 04 de Novembro de 1862, mais conhecido como José Estêvão, este homem aveirense, foi um notável jornalista, politico, orador parlamentar, bacharel em Direito pela Universidade de Coimbra, foi veterano das lutas liberais e foi várias vezes obrigado a procurar refugio fora do país devido à sua frontalidade na oposição. Foi um defensor da urgência de continuadas obras na barra de Aveiro, da construção de um farol e foi intransigente na passagem do caminho de ferro pela sua cidade.

Foi um verdadeiro e dos mais ilustres filhos da terra. Em 1889, por reconhecimento público, Aveiro recebeu a sua estátua com grandes festejos.

Nota: Foto retirada do blog http://vilibordo.blogspot.com