segunda-feira, 5 de maio de 2008

Aveiro: Número de marinhas mantém-se, mas diminui a área de produção de sal

Foto: Salinas de Pedro Esteves in Olhares.com

São as mesmas as marinhas que iniciaram os trabalhos de preparação para a safra deste ano. Resistem nove marinhas, mas é reduzida a área de produção, duas das quais atingidas pela linha de caminho de ferro em construção.

É o mesmo número de marinhas de sal que irá produzir este ano, comparando com 2007, mas será inferior a área, em parte inviabilizada pelas obras do caminho-de-ferro, de ligação entre Cacia e a área portuária, que irá atravessar a zona do salgado de Aveiro, junto à A25.

Agora é tempo de preparar as marinhas depois das chuvas de Inverno, e o resultado a obter no final da safra dependerá do estado do tempo dos próximos meses. A safra do ano passado não traz boas recordações, uma vez que apenas no final de Julho foi possível iniciar a extracção.


As que se encontram em fase de preparação para a produção são as marinhas: «Podre»,«Caniceira»,«Peijota»,«18Carbonetes»,«Puxadoiros»,«Grã-Caravela»,«Troncalhada», «Santiaga da Fonte», «Senitra» e «Paçã».

A construção da linha de caminho de ferro que avança paralelamente à A-25, entre Mataduços, Esgueira e a Gafanha da Nazaré afecta duas marinhas ao longo das zonas de S. Roque e da ligação de Aveiro à Gafanha da Nazaré. Inviabiliza cerca de metade da marinha «Podre» e uma pequena parte da «Peijota».

As marinhas que ainda sobrevivem estão a ficar cercadas por obras, da construção da ligação ferroviária à área portuária, da nova ponte sobre o Canal das Pirâmides e da consolidação da plataforma da antiga Lota, condicionando as áreas disponíveis para a actividade da produção artesanal de sal assim como os acessos às marinhas.
A tendência para a redução da área colocada «a sal» em cada safra, convive com um novo passo do sector, que visa o desenvolvimento da actividade através de um plano de obras de protecção de áreas de marinhas e da protecção da marca do sal de Aveiro. Num processo em que está envolvida a Associação de Produtores e Marnotos da Ria de Aveiro foi conseguida a aprovação dos 27 Estados Membros da União Europeia que votaram a favor da inserção do sal «no anexo ao Regulamento 510/ 2006 da Comissão sobre a indicação geográfica protegida (IGP) e sobre a denominação de origem protegida (DOP).

O processo de certificação a que é agora possível ter acesso implica, naturalmente, o cumprimento de regras na produção de sal, mas, fundamentalmente, na protecção do produto, passando a ter um certificado de origem de produção artesanal diferente dos que são industrialmente transformados.

Um objectivo importante a atingir é a assegurar que o sal de Aveiro não seja vendido sem a respectiva certificação. Um dos factores que tem contribuído para a decadência da actividade é, precisamente, o comércio de sal como se fosse de Aveiro, sem o ser. Por isso, o mercado do sal, original de Aveiro, poderá agora crescer.
Quanto ao plano de intervenção de protecção das marinhas, através de uma construção ao seu redor, é admitida a possibilidade de passar das nove para 50 marinhas em funcionamento, garantindo uma produção anual de 10 mil toneladas de sal, como disse ao Diário de Aveiro o presidente da associação, Manuel Estrela Esteves.

Fonte: Dário de Aveiro.

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