200 anos da Barra de Aveiro

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sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Portugal na época da Abertura da Barra.


Foto do Porto de Aveiro - Gabriel Alves

Dados Históricos sobre Portugal na época da Abertura da Barra.

À data da Abertura da Barra da Ria de Aveiro, em 3 de Abril de 1808, Portugal encontra-se numa situação muito especial, com partes do seu território ocupados por forças militares estrangeiras, a capital do Reino sedeada no Rio de Janeiro e a costa continental bloqueada por uma esquadra inglesa.

Quando em 1802 se iniciam os trabalhos para a recuperação da Barra da Ria de Aveiro, assistia-se na Europa à ascensão de Napoleão Bonaparte, imperador de França, cujos exércitos considerados invencíveis, haviam dominado as velhas monarquias da Europa Central.

Em Portugal, o governo liderado pelo Príncipe Regente D. João – a Rainha D. Maria I havia sido dada como incapaz de continuar a governar – vai tentando, com dificuldade, manter a neutralidade portuguesa. O objectivo era manter a liberdade do comércio marítimo com as colónias sem a hostilidade da Inglaterra e resistindo aos ataques dos corsários franceses e barbarescos. Contra os primeiros organizavam-se as escoltas às frotas de navios mercantes que faziam o comércio com o Brasil; contra os segundos mantinha-se a actividade da Esquadra do Estreito tentando travar a passagem para o Atlântico dos Argelinos.

Mas a Marinha Portuguesa sofria baixas nesta luta, perdendo a fragata CISNE em luta contra os argelinos e a corveta ANDORINHA em luta contra os franceses.

Em 1805, depois da derrota franco-espanhola em Trafalgar, Napoleão volta a pressionar os países europeus para não aceitarem nos seus portos os navios ingleses; era o Bloqueio Continental.

Em Novembro de 1807, faz agora 200 anos, um Exército Francês de 25.000 homens comandados por Junot e apoiados por forças espanholas, invadem Portugal dando início às Invasões Francesas.

A Rainha D. Maria I, o Príncipe Regente acompanhados da Corte retiram para o Brasil numa manobra estratégica que já estava prevista desde o tempo de D. João V e que permitiu salvaguardar a Independência Nacional.

Esta manobra foi possível porque o Poder Marítimo Português – então o 3º na Europa – dispunha dos meios materiais e dos recursos humanos necessários à sua realização.

Saíram de Lisboa 54 navios portugueses (23 da Armada Real e 31 mercantes) que transportaram para o Rio de Janeiro cerca de 15.000 pessoas para além do material de algumas das mais importantes organizações do Estado.

Enquanto os franceses se apoderavam do Continente, os ingleses ocupavam a Madeira, Goa e Macau.

Em Maio de 1808 as revoltas em Espanha contra a presença francesa levam os exércitos espanhóis a abandonar Portugal deixando os franceses de Junot completamente isolados e obrigando-os a concentrar as suas forças em alguns pontos importantes, nomeadamente Lisboa, Peniche e Almeida.
Em Junho a população de Lisboa revolta-se, no feriado do Corpo de Deus, quando observa a bandeira francesa hasteada no Castelo de São Jorge, mas é dominada; em Coimbra uma revolta estudantil leva os populares a cercarem e ocuparem o Forte de Santa Catarina na Figueira da Foz; a esquadra inglesa que então bloqueava a costa portuguesa desembarca 200 homens que ocupam o forte mas mantém-se içada a bandeira portuguesa.

Entre 1 e 5 de Agosto os ingleses desembarcam um numeroso contingente militar na praia de Lavos destinado a combater os franceses. Depois das vitórias na Roliça e no vimeiro os ingleses obrigam os franceses a assinar, em 30 de Agosto, a Convenção de Sintra, retirando-se o Exército Francês durante o mês de Setembro.

Fonte: Câmara Municipal de Aveiro.

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