200 anos da Barra de Aveiro

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quinta-feira, 3 de abril de 2008

A BARRA DE AVEIRO FAZ HOJE 200 ANOS

1813 - Mapa da Ria de Aveiro para inteligência do plano da abertura da Nova Barra

“Às 7 horas da tarde, em segredo, acompanhado por Verney, pelo marinheiro Cláudio e poucas pessoas mais, arrancam a pequena barragem de estacas e faxinas que defendia o resto da duna na Cabeça do Molhe. Cortam a areia com pés e enxadas e Luís Gomes, abrindo um pequeno sulco com o bico da bota no frágil obstáculo que separava a Ria do mar, dá passagem à onda avassaladora da vazante para a conquista da libertação económicade Aveiro, depois de uma pressão que durava há 60 anos”

Assim descreve o Comandante Silvério da Rocha e Cunha, o grandioso feito, que foi a abertura da Nova Barra, a 03 de Abril de 1808, que hoje é celebrado por todos nós.
No entanto, antes da abertura da Barra de Aveiro, e no último quartel do Séc. XVIII, Aveiro era uma cidade faminta, insalubre e angustiada...

"Cada um cobiça o pedaço de pão negro do vizinho, ou a magra caldeirada que, de quando em quando, pôde tirar da água lodosa da laguna; os povos limítrofes disputam, espancam-se brutalmente, e continuam a morrer de fome. Das dezasseis casas nobres, que tinha havido na vila, restavam duas, e no caos de misérias só ficaram de pé as ordens religiosas por disciplina e obediência à sua finalidade.
A nação abandonara a politica de produção... No quadro da apagada vida nacional, Aveiro era uma cidade de insalubre, faminta, angustiada, pedindo em vão que a salvassem."

In: Conferência realizada em 14 de Junho de 1930, pelo Comandante Silvério da Rocha e Cunha


Perante toda esta situação, a 02 de Janeiro de 1802, o Príncipe Regente D. João, encarregou dois notáveis Engenheiros, Luís Gomes de Carvalho e Reinaldo Oudinot de elaborar o projecto das obras a realizar, para salvar a região de Aveiro. E assim foi... a 03 de Abril é aberta a Nova Barra, marcando assim um novo período de prosperidade na história económica de Aveiro.

O Engenheiro Luís Gomes de Carvalho, presidiu a direcção de todas as obras da Barra até 1823, altura em que foi obrigado a interromper o seu meritório trabalho, devido a lutas politicas.

Na reunião camarária do dia 21 de Junho de 1823, presidida pelo Barão de Vila Pouca, Rodrigo de Sousa Teixeira da Silva Acoforado, assistida pelo Clero, Nobreza e Povo, ficou deliberado, por unanimidade, a prisão e a expulsão do Engenheiro Luís Gomes de Carvalho, que viria a falecer em 1829.
No entanto, passados 35 anos, a ruína vivida no século XVIII estava de novo a martirizar Aveiro, até que o Engenheiro Silvério Pereira da Silva, retomou a visão de Luís Gomes e as obras de recuperação foram colocadas em andamento.
Depois de tudo aquilo que foi feito por Luís Gomes na região, é caso para dizer que a ingratidão falou mais alto, pois aquilo que Aveiro é hoje, o deve a Luís Gomes de Carvalho.

6 comentários:

Anónimo disse...

Parabéns á autora deste Blog.
Notável abordagem dos assuntos do Mar e das Terras de Aveiro. Denota tremenda dedicação e gosto pela divulgação dos vários temas. Continue com o mesmo afinco a desenvolver este excelente trabalho.
Um grande Bem-haja.
A. Almeida.

Autor: Carla Ferreira disse...

Caro(a) A. Almeida

Obrigado pelo seu gentil comentário.

Tudo o que faço neste blog é com imenso gosto e prazer, e agrada-me bastante receber comentários tão positivos como o seu, pois dão-me mais ânimo para continuar.

Volte sempre
Carla Ferreira

Maria Clarinda disse...

UAU!!!!
Parabéns à barra de Aveiro. Fiquei muito contente de o saber.
Venho muitas vezes ao teu blog, por vezes não comento mas adoro.
Jhs

Autor: Carla Ferreira disse...

Olá Maria,

Ainda bem que gostas do barramar... é sinal que o meu trabalho não tem sido em vão;)

Volta sempre que quiseres
Beijinhos

artes_romao disse...

Boa tarde,td bem?
quero desejar os parabéns á Barra de Aveiro...
obras de uma grande dimensao a todos os nivéis teem de ser recordadas com todo o carinho. e acima de tudo perserva-las ou melhorar-los consoante o caso...
muitas felicidades e k este dia decorra da melhor maneira nos aspectos festivos...
já agora quero agradecer-te por estares sempre a actualizar quem por aqui passa...
fika bem,jinhos****

lena disse...

o meu abraço, a minha saudade,

porque adoro brincar com palavra,

porque foi lá que cresci, aprendi e vive lá muito de mim,

porque é lá que vou todos os dias da minha vida, para ver o mar, sentir o farol e recordar a sua ronca

deixo algo que escrevi:


farol de mim



não sabes ver ou sentir
a quietude silente

sei quem és, onde pertences

sorrio-te,
em dias de luz difusa
ou só de nevoeiro
sorrio-te,
nas noites repetidas
sem astros

reparto contigo solidão
pedaços de alegria
momentos de tristeza
...paixão

congemino definições
talvez exactas
talvez adversas
talvez por seres
um amigo confidente
talvez pelo brilho
que busco na ausência

tens o mar por companhia,
acodes os aflitos
apontas caminhos
com ciência cativa
entre os teus segredos

e dizer-te mais?
que (já) vives
no meu sorriso.

e estarás comigo,
em lembranças
entre os muros
abissais da saudade

leito vazante
para uma linha obstinada
entre o tempo e o espaço


sobejas
farol de mim!
e fio de luz
... estendido
até ao amanhecer
... naufragado
entre ilusões
em dias sem sol

e assim mesmo
a ti não hei-de dizer
"adeus"



l.maltez
(e retoques do vento)


com um abraço, parabéns pelo blog, parabéns à Barra que eu adoro

lena